Se o governo do Estado não fizer um aditivo ao convênio com o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), aumentando o repasse de verbas, os hospitais da Zona Norte (HZN) e da Zona Sul (HZS) de Londrina terão de reduzir os serviços prestados. E o Cismepar ameaça romper o convênio, devolvendo para a Secretaria Estadual de Saúde a administração dos hospitais.
De acordo com a chefe do Cismepar, Vânia Brum, somente os recursos repassados pelo Ministério da Saúde, através do SUS, não estão sendo suficientes para cobrir todas as despesas dos hospitais. ‘‘Apenas para manutenção da estrutura atual, necessitamos de pelo menos mais R$ 160 mil por mês. Se o governo não concordar com o aditivo, seremos obrigados a demitir funcionários e reduzir o número de leitos e os procedimentos cirúrgicos’’, enfatiza Vânia Brum. Ela diz que há possibilidade até de rescisão do contrato e devolução da administração dos hospitais para o Estado.
Mario CesarSem saídaA chefe do Cismepar, Vânia Brum: ‘‘Se o governo não concordar com o aditivo, seremos obrigados a demitir funcionários e reduzir o número de leitos e os procedimentos cirúrgicos’’Vânia Brum explica que o convênio foi assinado há pouco menos de dois anos como forma de agilizar a administração do pronto-socorro de especialidades da 17ª Regional de Saúde e dos hospitais. Ela esclarece que o governo do Estado se encarregou pela folha de pagamento dos funcionários concursados, pela linha padrão de medicamentos e por parte do material de consumo - além das despesas com água, luz e telefone.
Já o governo Federal entra com o pagamento dos procedimentos de acordo com a tabela do SUS - média mensal de R$ 55 mil para o HZS e de R$ 100 mil para o HZN - e os 19 municípios da região participam com R$ 0,04 por habitante para o custeio de material de consumo, medicamentos e da folha de pagamento do pessoal não concursado - 71 na Zona Norte e 36 na Zona Sul, entre auxiliares de enfermagem, médicos, pessoal administrativo, nutricionista e bioquímico.
Segundo a chefe do Cismepar, as dificuldades financeiras se agravaram em abril do ano passado, quando expirou o prazo do contrato de trabalho por tempo determinado de 24 funcionários contratados em regime da CLT. Na ocasião, o consórcio ficou responsável por mais esta despesa. ‘‘Deste aquele momento estamos tentando convencer o Estado a fazer o aditivo’’, lembra.
Vânia Brum diz que os hospitais atendem cerca de 12 mil pessoas no pronto-socorro, em plantão de 24 horas, e na clínica médica, pediatria e cirurgias. ‘‘Antes do Cismepar, os hospitais faziam entre 30 e 40 cirurgias por mês. Hoje, fazem mais de 600. E passamos a oferecer cirurgias nas áreas que há mais demanda, como otorrino, urologia, pediatria e oftalmologia, além de ginecologia e obstetrícia’’, diz Vânia, justificando a necessidade do aditivo.
Na Secretaria Estadual de Saúde, a assessoria de imprensa não conseguiu verificar qual é a decisão do governo sobre o aditivo. O secretário Armando Raggio e sua equipe estão no litoral, tratando da epidemia da cólera e não foi possível um contato para apurar a informação.Mario CesarSem verbasCismepar ameaça devolver administração dos hospitais da zona norte e da zona sul para o governo do EstadoÁureo Nogueira

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