Hospitais paranaenses estão ameaçando suspender o atendimento aos servidores estaduais, caso o governo não pague os serviços prestados aos segurados do Instituto de Previdência do Estado (IPE). A Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar) encaminhou ontem documento ao governador Jaime Lerner avisando sobre o corte no atendimento se não forem pagos os atrasados. Segundo a Fehospar, o governo ainda não pagou sequer os atendimentos prestados em agosto do ano passado, que somam cerca de R$ 3,5 milhões.
‘‘A situação é insustentável e os hospitais não podem continuar absorvendo os prejuízos’’, diz o presidente da Fehospar, José Francisco Schiavon. Segundo ele, o problema se arrasta há dois anos e a saída de André Zacharow da presidência do instituto agrava ainda mais a situação, já que até agora não foi escolhido um substituto para o cargo. Zacharow ficou apenas dois meses à frente do IPE, e deixou o posto para assumir a presidência da Cidade Industrial de Curitiba, a convite do prefeito Cássio Taniguchi.
No documento enviado ao governador, a federação compara a situação do IPE com a do Sistema Único de Saúde (SUS): ‘‘Se o SUS paga pouco, pelo menos paga. O IPE, além de pagar pouco, é inadimplente crônico’’.
O diretor médico do IPE, José Valêncio de Almeida, diz que o instituto não tem recursos para quitar todos os atrasados. ‘‘Estamos aguardando a nomeação do novo presidente’’, afirmou. Almeida atribui a suspensão dos pagamentos aos procedimentos burocráticos do governo. ‘‘Por questões contábeis, o Estado tradicionalmente suspende todos os pagamentos na segunda quinzena de dezembro e retoma a partir de 15 de janeiro’’, alegou.

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