Hospedagem alternativa para vestibulandos
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sábado, 08 de janeiro de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Durante os quatro dias do vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), com início no próximo dia 16, a família da comerciante Adriana Cavalcanti Lopes Ramos, 38 anos, deverá receber pelo menos 25 novos membros em dois apartamentos no Centro da cidade. Ali, os hóspedes irão dormir, comer, provar os chás de dona Anésia, mãe de Adriana, e ganhar o carinho e a proteção da família. O curioso é que essas pessoas não são parentes, velhos amigos ou mesmo conhecidos dos Cavalcanti, mas jovens vestibulandos que pagarão diárias para se instalar sob o teto deles.
Situações como essa irão se repetir em várias residências de Londrina quando grande parte dos 35.492 candidatos ao vestibular de 2005 desembarcarem na cidade, vindos de várias localidades do País. O Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Londrina calcula que cerca de 55% dos vestibulandos venham de fora. Destes, pouco menos de 6 mil deverão se hospedar nos 34 hotéis que o sindicato classifica como sendo de ''razoável conforto''. Restarão cerca de 12 mil estudantes, ainda pelas contas da entidade, que irão buscar abrigo em casas de parentes e amigos, pensões, pousadas ou hospedagens alternativas, como a de Adriana.
Esta última representa, além de economia, a chance de ficar em um ambiente bastante familiar mesmo estando a quilômetros de casa. Fator que pode ser crucial para jovens de 17, 18 anos, que estão se deparando sozinhos com uma cidade desconhecida e já têm de lidar com o nervosismo de um vestibular concorrido. ''Muitas vezes são os pais dos vestibulandos que procuram a nossa hospedagem. Eles não querem apenas que os filhos tenham um lugar para dormir, mas que estejam seguros e bem cuidados'', explica Adriana.
Para quem adequa uma residência para esse tipo de hospedagem, é uma forma de garantir uma boa renda extra no primeiro mês do ano e até descobrir um filão a ser explorado no restante do ano. A família Cavalcanti, por exemplo, conseguiu extrair lucro de um apartamento desocupado que não conseguia alugar. Na primeira vez, em 2004, o imóvel hospedou 15 estudantes. Os três que passaram no vestibular acabaram ficando na residência. Outros hóspedes foram surgindo ao longo do ano, de alunos de cursinhos a pós-graduação. Para este vestibular, a família irá utilizar mais um apartamento, de onde dona Anésia está se mudando.
''São três dias de corre-corre sem parar, mas dá um lucro bom. O maior investimento veio da compra de beliches, colchões e de uma geladeira. Depois, são só as despesas com alimentação, contas de água e luz, e combustível'', enumera. O pacote de quatro dias custa ao vestibulando R$ 250 e inclui café da manhã, almoço, janta e transporte até os locais de prova.
A Hospedagem Estudantil Águia (Zona Oeste de Londrina) também começou como um negócio familiar, há cinco anos, e hoje é uma das mais procuradas da cidade. As 88 vagas já estão preenchidas. ''Mais uns 40 vestibulandos nos procuraram e tivemos que recomendar para outras hospedagens. É bom porque tem mais gente trabalhando, ganhando um pouco mais'', conclui a proprietária Maria Zileide Mendes Oliveira, 45.


