Cambé - Os responsáveis pelas hortas comunitárias de Cambé (Região Metropolitana de Londrina) tinham na falta de adubo para as plantações o principal problema para a continuidade dos trabalhos. A prefeitura disponibilizava esterco animal, mas a produção era pequena para atender à demanda do município, que conta atualmente com 24 locais de trabalho familiar. "Teve uma época que faltou bastante, às vezes tínhamos que comprar e as 'carroceirinhas' traziam", lembrou Laurinda Camargo, presidente da horta do jardim Santa Isabel.

No Cambé 4 os canteiros são conduzidos por 32 famílias, informa o presidente Adederio Lourenço, que em sua área conta com o apoio da esposa Olga
No Cambé 4 os canteiros são conduzidos por 32 famílias, informa o presidente Adederio Lourenço, que em sua área conta com o apoio da esposa Olga | Foto: Marcos Zanutto



Em março de 2018, segundo o diretor do Departamento de Agricultura, Odair Paviani, a prefeitura iniciou as atividades da Central de Compostagem, que funciona no aterro municipal, e aumentou a produção de adubo para atender as mais de 830 famílias que trabalham nas hortas. "Antes já tínhamos algumas parcerias para que a compostagem funcionasse, como com o Parque de Exposições Ney Braga e hípicas de Londrina e Cambé. Recolhíamos esse esterco e fazíamos adubo." No fim do ano passado, o município adquiriu um picador de galho e todo o material recolhido nas podas de árvores na cidade são encaminhados também para a central de compostagem do aterro, explicou. "Fechamos também uma parceria com uma empresa que cede as cinzas das caldeiras, agora fazemos essa mistura e conseguimos realizar uma produção maior, atendendo também com mais qualidade."

A distribuição do adubo é proporcional ao tamanho das hortas e ao número de famílias que participam. No Santa Isabel, por exemplo, são 47 famílias da comunidade vinculadas, uma das maiores hortas comunitárias de Cambé. Já a horta do jardim Ana Rosa abriga mais de cem famílias. Segundo Paviani, a média de ocupação de cada horta é de 30 a 40 famílias. Um dos locais que respeita a média é a do Cambé 4, presidida por Adederio Lourenço.

As 24 hortas comunitárias de Cambé produzem em média 500 toneladas de verduras e legumes
As 24 hortas comunitárias de Cambé produzem em média 500 toneladas de verduras e legumes | Foto: Marcos Zanutto



"Cada um tem um pedaço, eu cuido do meu e cada um cuida do seu. São 32 famílias que estão na horta, mas nem todos vêm diariamente aqui. O adubo são eles [a prefeitura] que trazem agora, está vindo bem mais, antigamente faltava, a horta estava quase abandonada, agora ficou bom, estão cuidado certinho", afirmou Lourenço.

A função dos presidentes é cuidar para que o estatuto das hortas comunitárias seja cumprido. Entre as exigências estão que cada família tenha direito a pelo menos um canteiro na horta e que não haja acumulo por parte de um ou outro grupo. Se um canteiro está desativado, o pedido é que seja repassado às famílias que não possuem espaço.

'Teve uma época que faltou bastante (adubo), às vezes tínhamos que comprar', lembra Laurinda Camargo, presidente da horta do jardim Santa Isabel
'Teve uma época que faltou bastante (adubo), às vezes tínhamos que comprar', lembra Laurinda Camargo, presidente da horta do jardim Santa Isabel | Foto: Marcos Zanutto



Produção
Os alimentos mais produzidos nas 24 hortas comunitárias de Cambé são verduras e folhagens, além de ervas medicinais em menor quantidade. A produção é utilizada em sua maioria para uso próprio, mas as famílias também podem comercializar o excedente. Na horta do Santa Isabel, por exemplo, um grupo de famílias se organiza nos finais de semana para montar uma feira livre para a comunidade. Somando todas as hortas, são produzidas cerca de 500 toneladas de alimentos por ano.

Supervisão: Célia Guerra - editora (interina) Cidades

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