BOAS PRÁTICAS -

Horta de CMEI de Londrina atende comunidade do Sabará

Na zona oeste de Londrina, muitas famílias estão consumindo alimentos cultivados nas dependências do centro infantil Laura Verginia de Carvalho Ribeiro

Micaela Orikasa - Grupo Folha
Micaela Orikasa - Grupo Folha

A horta do CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil) Laura Verginia de Carvalho Ribeiro, no jardim Sabará 3 (zona oeste de Londrina), tem mantido a escola de portas abertas para a comunidade. Muitas famílias estão descobrindo o ambiente escolar de uma forma especial e acolhedora.  Com as aulas suspensas pelo decreto municipal devido à pandemia do coronavírus, os pais não têm ido levar ou buscar os filhos, mas estão frequentando a escola para buscar ervas aromáticas e algumas frutas e legumes que são cultivadas por lá. 



Pais de alguns alunos ajudam no plantio e cuidados com a horta; alimentos são distribuídos aos moradores da região
Pais de alguns alunos ajudam no plantio e cuidados com a horta; alimentos são distribuídos aos moradores da região | Micaela Orikasa - Grupo FOLHA
 



Se durante o ano letivo a horta envolve os alunos em uma prática pedagógica, neste momento de isolamento social, ela tem enriquecido as refeições das famílias mais carentes. E a "semente" de todo esse trabalho começou semanas atrás, quando uma mãe de aluno bateu na porta da escola perguntando se havia algum alimento na horta.  




“Naquele momento, a gente pôde ajudar apenas com algumas ervas para fazer chás. Mas isso já foi suficiente para ela ficar agradecida, pois nos contou que, para não faltar comida aos filhos, tinha deixado de comer”, conta a diretora Mirna de Cássia Guilherme Gentile. O episódio sensibilizou professores e direção, que se uniram e doaram uma cesta básica à família.  

 

Foi desse exemplo que surgiu a ideia de manter a horta viva. “A escola é pública e é da comunidade. As crianças não estão presencialmente aqui, mas estão sentindo e vivenciando esse papel da escola que transcende o pedagógico. Um maço de salsinha, um pepino para salada ou uma banana para sobremesa tem sido uma forma de mostrarmos o quanto estamos pensando neles e seguimos abertos e solidários. Essa é uma grande lição”, diz a diretora.  


Carolina Augusta Siqueira, mãe do Leonardo, de 1 ano e 11 meses, falou sobre a importância de estar presente na escola do filho e sobre a alegria de poder colaborar. “Quando recebi o convite fiquei bem feliz, pois fazia muito tempo que eu não mexia com a terra. Lembro de uma horta na minha pré-escola, mas não era uma atividade como tem sido hoje para as crianças. Acho ótimo essa iniciativa porque além de ser um aprendizado para as crianças é uma forma de incentivar a alimentação saudável”, comentou.  


Nesta semana, a diretora fez um convite aos pais de alunos para ajudarem no plantio de mudas e nos cuidados com a horta, mas independente dessa participação os alimentos são distribuídos quinzenalmente em banquinhas de feira improvisadas na porta de escola.  


“É muito bom saber que de alguma forma estamos ajudando outras famílias e, ao mesmo tempo,  proporcionar uma brincadeira a ela, um aprendizado com a terra”, contou Marybel Ribeirinho, mãe de Beatriz, 4. Mãe e filha se divertiram com as mudas de salsinha.    



PAPEL SOCIAL 

Com essa pequena ação, a escola tem exercido seu papel social e se tornado uma referência para muitas famílias em momentos difíceis. “Temos o espaço, a horta e o custo para o cultivo é baixo. Com a pandemia, ficaram explícitas questões sociais, especialmente da fome e da importância de se ter atitudes. E acredito que estamos promovendo esse aprendizado aos alunos, seus familiares e parte da sociedade”, sustentou a coordenadora pedagógica Jane Ester da Silva Bazoni.


Como ajuda, a escola recebeu, há poucos dias, doações de alimentos de um grupo de amigos. De acordo com a diretora, as colheitas da horta atendem uma média de 160 famílias a cada duas semanas.  O CMEI Laura Verginia foi fundada em julho de 2013 e atende 226 crianças de 0 a 5 anos e 11 meses de idade.


Jane Ester da Silva Bazoni, coordenadora pedagógica, e Cássia Guilherme Gentile, diretora: “ Com a pandemia, ficaram explícitas questões sociais, especialmente da fome e da importância de se ter atitudes"
Jane Ester da Silva Bazoni, coordenadora pedagógica, e Cássia Guilherme Gentile, diretora: “ Com a pandemia, ficaram explícitas questões sociais, especialmente da fome e da importância de se ter atitudes" | Micaela Orikasa - Grupo FOLHA
 


AJUDA PROFISSIONAL

Durante a visita ao centro infantil, a reportagem encontrou o engenheiro agrônomo Paulo Roberto Guilherme, da secretaria municipal de Educação. Ele percorre as escolas para atender demandas ambientais e auxiliar no cultivo de hortas, nos processos de compostagem, eliminação de pragas (formigas), entre outros.  


Guilherme explica que no CMEI são cultivadas 29 espécies de aromáticas. Na manhã de terça-feira (19), com a ajuda das mães, foram plantadas mudas de alface e almeirão, além de replantio de salsinha. “A ideia é que as hortas escolares sirvam como incentivo para as crianças e toda a família. As pessoas podem ter hortas em casa”, disse.     

Marybel Ribeirinho, mãe de Beatriz, 4: ajuda e aprendizado com a terra
Marybel Ribeirinho, mãe de Beatriz, 4: ajuda e aprendizado com a terra | Micaela Orikasa - Grupo FOLHA
 




SERVIÇO - Mais informações pelo telefone (43) 3375-0232

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