Curitiba O horário de verão, com o adiantamento de uma hora no relógio desde domingo, tem repercussões sobre o organismo humano. É o que diz o professor Fernando Louzada, do Departamento de Fisiologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que trabalha com pesquisas em cronobiologia, ou seja, no funcionamento do chamado ''relógio biológico''. ''As pessoas dizem que é simples, que se acostumam, mas muitos levam de duas a três semanas para se adaptar ao novo ritmo'', afirma. Um dos problemas, de acordo com ele, é a secreção de hormônios que são liberados duas horas antes do momento normal de acordar. Com o novo horário, o funcionamento do hormônio é alterado.
''Este é só um exemplo. Outros hormônios e funções são alterados'', garante. Além da sonolência, ele cita outras consequências possíveis, como o mal-estar, mau-humor e mudança nos hábitos alimentares. O professor alerta ainda para a necessidade de os motoristas redobrarem a atenção no trânsito. No Brasil não há pesquisas sobre o assunto, mas no Canadá já está provado que no dia seguinte à implantação do horário de verão aumenta em 7% o número de acidentes de trânsito.
Reeducar o ''relógio biológico'' é o grande desafio da relações públicas Célia Hosoume. ''Eu detesto o horário de verão. Não tenho sono na hora de dormir, não tenho fome na hora de comer e na hora de acordar ainda estou com sono'', reclama. Para acostumar-se mais rapidamente, o professor Fernando Louzada dá algumas dicas, como começar a levantar mais cedo alguns dias antes da entrada em vigor do horário de verão.
Como não dá mais tempo para colocar esse conselho em prática, ele recomenda: ''Já que o horário está aí, o negócio é se acostumar, e quanto mais rápido o organismo se expor às mudanças, melhor será. Para isso, é bom as pessoas se exporem mais à claridade, o que é excelente para a adaptação do relógio biológico.''

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