Horário de verão faz acordar no escuro
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 1998
Mônica Kaseker 
Kraw PenasMadrugadaO operário Fernandes, às 5h40: sono difícil por medo de pe rder a horaNa região Sul, quem tem que acordar cedo sofre ainda mais os transtornos do horário de verão. A rotina começa no final da noite e ao amanhecer, às 7 horas, muita gente já está nas ruas. Segundo a Copel, neste período de prorrogação do horário desde o último dia 14, a economia de energia já não é útil ao Paraná, mas é necessária por causa da crise da Light no Rio de Janeiro. A rede da região Sul é interligada à do Sudeste, por isso os paranaenses vão continuar começando o dia no escuro até 1º de março.
Carlos Fernandes, 35 anos, monta estruturas metálicas da fábrica da Renault em São José dos Pinhais. O horário de entrada no trabalho é 7h30 da manhã. Como ele mora em Colombo, tem que acordar às 4h30 e pegar o ônibus às 5h05. Ele diz que não dorme direito. Chega do trabalho por volta das 20h e, uma hora depois, geralmente já está indo dormir. Só que algumas horas depois começa a acordar assustado, com medo de perder a hora. Desperto meu despertador todo dia, diz Fernandes. Ele gosta do horário de verão porque acha que vai continuar acordando uma hora antes quando os relógios forem ajustados para o fim do horário especial.
Kraw PenasO arquiteto Cláudio Maiolino, às 6h45: correndo no Jardim Botânico
Operador de uma central de bip, Alexandre Luiz Correia, 21 anos, começa a trabalhar às 6 horas, por isso acorda diariamente às 4h30, pega o ônibus meia hora depois e dorme no trajeto do Bairro Alto até o centro da cidade. Detesto o horário de verão porque é muito difícil acordar uma hora mais cedo, reclama. Rafaela Pires Barbosa, de apenas cinco anos, passa por uma rotina parecida. Acorda às 5h45 e meia hora depois já está no ônibus para ir para a escola. Gisele Barbosa, 25, mãe de Rafaela, trabalha o dia todo e por isso optou por deixá-la no colégio em período integral. Enquanto a menina se veste, toma café e escova os dentes, Gisele aproveita para matar a saudade da filha. Mas geralmente Rafaela ainda está sonolenta e continua dormindo no ônibus até chegar na escola. Acho que quando o horário voltar ao normal vai ser menos sofrido pra ela, diz Gisele.
O arquiteto Cláudio Forte Maiolino, 38, começa a correr na pista do Jardim Botânico antes do dia amanhecer, quando as luzes da estufa e das luminárias ainda estão acesas. Maratonista, ele corre cerca de 15km por dia como treinamento para provas de 42km. Não gosto do horário de verão, mas não por causa das manhãs escuras e sim porque ficam sobrando duas horas no final da tarde, que a gente acaba perdendo, diz Maiolino. Ele prefere correr pela manhã porque no final da tarde há muita poluição e trânsito.
A estudante Rafaela, às 6h15: dormindo no ônibus a caminho da escola, antes do amanhecer
A engenheira de operação da Copel, Ana Rita Xavier Haj Mussi, sofre pessoalmente os transtornos do horário de verão porque as duas filhas entram na escola às 7 horas. Mas, como engenheira da Copel, ela explica que mesmo tendo pouca utilidade para o Sul no período de prorrogação, a manutenção do horário de verão é necessária porque o sistema é interligado. Seria muito difícil manter o horário de verão no Rio de Janeiro, sem fazer o mesmo aqui. O Brasil ficaria com muitos fusos horários, complicando toda a programação nacional, inclusive das TVs, afirma. Outra dificuldade é que a maioria das grandes usinas, e mesmo as linhas de transmissão, ficam na região Sul.
O horário de verão tem servido principalmente para diluir o consumo de energia que fica concentrado no horário de pico, principalmente entre 19 e 20 horas. No Paranádeve gerar economia de 4% no consumo residencial do período, o que equivale ao consumo de todo o Litoral do Estado ou 105MW por hora.


