O primeiro dia de horário de verão iniciado à zero hora de ontem dividiu opiniões entre os que comemoraram ''dias mais longos'' e os que ainda tentavam se recuperar da hora de sono perdida.
''Cheguei às 5 horas da manhã, que eram 4 horas no horário antigo. Realmente a gente não dorme e chega no trabalho mais cansado'', relatou o padeiro e confeiteiro Luiz Carlos Santiago, 42 anos. O dono da padaria, Divaldo Domingues, 38 anos, disse que é comum os atrasos dos funcionários nos primeiros dias do novo horário. ''Teve uma funcionária que não chegou atrasada porque o marido a trouxe de carro'', afirmou.
Para o chefe de recepção de um hotel da cidade, Mauro César de Almeida, 36 anos, a hora a menos de sono também fez falta. ''Estou morrendo de sono'', afirmou Almeida, que teve que se apresentar no trabalho às 8 horas. ''Acho que o horário de verão não é bom. Atrapalha muito, é uma mudança no físico mesmo'', contestou.
Acostumado a acordar muito cedo, Lourival Gonçalves de Abreu, 46 anos, e que há 14 anos trabalha em feiras, disse que a mudança no relógio não faz diferença. ''Se for pelo bem de todos, eu apoio.''
Pelos cálculos do Ministério das Minas e Energia, o horário de verão que terá duração de 125 dias nos estados do Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Distrito Federal proporcionará uma economia de R$ 32,4 milhões em geração termelétrica. Mas a economia não deverá ser sentida pelos consumidores. ''Essa economia pode existir no global, mas pelo menos na minha conta de energia não muda nada'', assegurou o agricultor Sérgio Guizelini, 52 anos. A medida também busca evitar interrupções no fornecimento nos horários de maior consumo, entre 19h e 22h.
Apesar da dificuldade de adaptação ao novo horário, principalmente nesta primeira semana, há quem prefira ''os dias mais longos''. ''Eu consigo aproveitar mais o dia'', afirmou o médico Fernando Oguido, 55 anos. ''Eu particularmente gosto. O dia fica mais comprido, mais gostoso'', opinou o empresário Luiz Alberto Araújo, 45 anos, que ontem pela manhã ainda não havia adiantado o relógio. ''Geralmente faço isso no domingo à noite. Hoje (ontem) não tem muita alteração, na segunda-feira sim'', justificou.
Há também os que aproveitam o horário de verão para incrementar o orçamento. ''É bom porque aumenta o movimento. Temos que chegar mais cedo e ir embora mais tarde'', disse Juliano César Carmargo, 24 anos, que vende água, caldo de cana e salgadinhos no Zerão.
Os relógios voltam ao horário normal à zero hora do dia 19 de fevereiro.

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