Horário de verão cai no gosto nacional
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sábado, 15 de fevereiro de 1997
Simone Mattos 
Da Sucursal
Gilson AbreuDisposiçãoA comerciante Anadir de Oliveira e a filha Sharon (em primeiro plano): aulas de natação às 6 da manhãOs mais distraídos podem estranhar ao acordar neste domingo e perceber que o seu relógio não está sincronizado com a programação da televisão ou com a rotina da casa. Calma! Não é motivo para entrar em pânico ou achar que exagerou na cerveja na noite de sábado. Basta atrasar os ponteiros em uma hora e sair do horário de verão. A medida - instituída no Brasil há 12 anos com o objetivo único de poupar energia - apesar de ainda confundir algumas pessoas, se tornou preferência nacional na opinião da grande maioria.
Eu adoro o horário de verão, afirma a psicóloga Tânia Sales Jacob, que costuma caminhar de manhã no Parque Barigui. Ela costuma ir ao parque na companhia da filha Camila, de dez anos, três vezes por semana. É mais fácil para acordar e o final da tarde fica mais gostoso, dá para passear e aproveitar o sol depois do expediente, disse.
Para os que preferem o horário de verão, o final dele ainda tem o agravante de coincidir com o término das férias escolares e do Carnaval, o que dá uma sensação de que o ano está realmente começando. Eu acho que durante o horário de verão sobra mais tempo para brincar. Minhas aulas começam nesta segunda-feira e agora tudo volta ao normal, disse Camila.
Outra adepta das caminhadas matinais no Barigui, a agente de turismo Paula Chaves, 26 anos, também acha mais agradável o horário especial. Especialmente nos finais de tarde, diz. Sua filha, Maria Beatriz, de dois anos, retorna à escola na segunda-feira. Com a volta do ano letivo o ano começa de fato.
Embora os mais beneficiados pelo horário de verão sejam os que aproveitam os finais de tarde para um happy hour, em bares ao ar livre e na companhia de amigos, são eles que menos se importam com a volta do horário normal. Nós trocamos o bar e as bebidas, mas o happy hour continua acontecendo, garante a funcionária pública Cleo Gonçalvez.
Ela e o amigo, o restauranter George Edgar Pulze, explicam que a cerveja é substituída pelo whísque e bares como o Ciccarino, no Batel, ou o deck do Parque Barigui, que são ao ar livre, abrem espaço para locais fechados, como o Café Giuseppe, no centro da cidade.
Apesar disto, o proprietário da sanduicheria Os Mestres, no bairro da Água Verde, e que conta com cerca de 50 mesas ao ar livre, Luciano Maranhão Trevisan, não está preocupado com o final do horário de verão. O local funciona como bar e registra seu maior movimento à artir das 18 horas, quando o público do happy hour chega, informa ele.
Ainda não parei para pensar, mas acho que o final do horário de verão não vai atrapalhar o meu movimento, acredita.


