Mário CésarAlertaMembros da Federação dos Bancários do Paraná na Redação: temor de serviço pior e mais demissões O horário de atendimento ao público nos bancos pode ser reduzido ainda em abril. O alerta é da delegacia regional da Federação dos Bancários do Paraná. Sindicalistas dizem que o Banco Central baixou norma deixando a critério dos bancos a redução do horário de atendimento ao público de seis para cinco horas, nas chamadas cidades-pólos. Até recentemente o BC exigia que os bancos destas cidades permacessem abertos ao público por, no mínimo, seis horas.
A Federação dos Bancários denuncia que os bancos pretendem implantar o novo horário sem consultar o Poder Público (Executivo e Legislativo). O diretor da Federação em Londrina, Silvio Roberto Stefano, afirma que, para implantar a mudança de horário, os bancos precisam da anuência da Prefeitura, da Câmara de Vereadores e dos bancários.
Stefano acredita que, se não houver mobilização por parte da comunidade, o horário de atendimento será reduzido arbitrariamente. As consequências, frisa, serão muito maiores do que o aumento das filas e a queda da qualidade do serviço prestado à comunidade e ao usuário. Pelos cálculos da Federação, a redução do horário de atendimento ao público implicaria na demissão de cerca de 300 bancários apenas em Londrina. ‘‘Se os bancos implantarem esta mudança, outras virão. E aí não estaremos mais falando em 300 bancários desempregados, mas em mais de mil.’’
De acordo com a Federação, os bancos já falam na centralização do sistema de compensação em Curitiba e estão estudando alternativas para viabilizar a transferência do serviço para a Capital do Estado. Stefano garante que a primeira medida neste sentido é o fechamento do sistema de compensação do movimento bancário de Maringá, que vai passar a ser feito no Centro de Serviços de Processamento de Dados (Cesec) do Banco do Brasil, em Londrina.
Se o serviço de Londrina for transferido para Curitiba, só no Cesec serão cerca de 400 bancários passíveis de demissão. A Federação dos Bancários calcula que, somados aos funcionários das agências que trabalham com a compensação, o número pode facilmente chegar a mil. As agências da região empregam hoje cerca de 3.500 bancários - 2.700 só em Londrina - e cerca de 70% deles trabalham no atendimento direto ao público.
Ontem de manhã os diretores da Federação dos Bancários estiveram reunidos com o prefeito Antonio Belinati reivindicando apoio contra a redução do horário de atendimento bancário. ‘‘Não vamos aceitar passivamente a alteração e, se necessário, vamos recorrer ao Banco Central abrindo mão de todas as alternativas legais para garantir a manutenção do horário atual’’, garantiu Belinati. O prefeito argumentou que a alteração do horário tem um impacto social muito grande que não está sendo levado em consideração pelos banqueiros.
Quanto ao respaldo legal do Município para interferir na mudança dos horários de funcionamento dos bancos, Belinati lembra que o assunto é uma ‘‘briga antiga’’ entre prefeituras e Banco Central. E frisa que, na sua avaliação, o Município tem autonomia para legislar sobre o tema.
O presidente da Câmara, Adalberto Pereira (PFL), garante que a redução do horário bancário não será aceita sem discussão. ‘‘Se a norma do Banco Central deixa a critério dos bancos implantar ou não a redução de horário, vamos defender que o atendimento ao usuário permaneça da mesma forma como está.’’
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Abílio Medeiros, também vê com preocupação a notícia da redução do horário bancário. ‘‘Por mais que avalie, não vejo nenhuma vantagem para o usuário e para o comércio.’’ Para Medeiros, a redução iria contra os interesses da população, que sempre reivindica mais alternativas e flexibilidade de acesso ao serviço.
A Folha não conseguiu falar com a superintendência do BB - representante do BC na Cidade.

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