Por sete votos contra quatro, a Câmara de Vereadores de Campo Mourão aprovou anteontem à noite o projeto de lei que libera o horário de funcionamento das empresas comerciais e prestadoras de serviços do município. Com a aprovação, qualquer loja da cidade vai poder funcionar por até 24 horas por dia. A votação foi acompanhada por um grupo de comerciários com cartazes de protesto. Líderes empresariais também estiveram na Câmara.
O público se manifestou várias vezes durante a discussão do projeto. A certa altura, o presidente da Câmara, Edson Battilani (PSDB), chegou a ameaçar a retirada das pessoas do plenário. No total, cerca de 70 pessoas acompanharam a sessão (o plenário da Câmara tem capacidade para 36), que teve até a proteção da Polícia Militar. Não houve incidentes. A aprovação foi aplaudida pelos empresários e vaiada pelos comerciários.
‘‘Como iremos estudar?’, perguntava um cartaz levado por funcionários do comércio. O argumento foi uma das principais armas dos comerciários durante os cerca de quatro meses em que o projeto ficou em tramitação. Há receio de que, com a liberação do horário, as lojas passem a abrir as portas mais tarde para só fechar à noite, o que impediria o estudo de quem tem aulas a partir das 19h30.
‘‘O bom funcionário nunca vai ser demitido’’, responde o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Lázaro Higinio. Ele admite, no entanto, que o projeto não vai mudar nada por enquanto. ‘‘Os novos horários devem ser usados com o passar do tempo, à medida em que a população for se acostumando’’. Ele acredita que o fato do comércio ter horário livre em Campo Mourão pode atrair novos investimentos ao município.
QuebraO presidente do Sindicato dos Empregados do Comércio, Mauro de Oliveira, pensa bem diferente. ‘‘Esse projeto vai gerar desemprego’’, ataca. É que, segundo ele, só as grandes empresas vão ter condições de criar turnos extras e de pagar horas extra. ‘‘As pequenas empresas vão quebrar’’, ressalta. O vereador Sérgio Martinhago (PT), que votou contra, teme que possa haver exploração dos empregados. ‘‘Não há fiscais do trabalho na cidade’’, explica.
Na defesa do projeto, os autores da idéia - Edevaldo Louzano (PSDB) e José Gilberto de Souza (PDT) - chegaram a citar o caso do supermercado de Campo Mourão que contratou 20 funcionários para poder funcionar até às 21 horas. ‘‘Isso prova que a liberação do horário gera empregos’’, frisa Louzano. O projeto ainda iria para votação em segundo turno ontem à noite. Depois, será levado para sansão do prefeito Tauillo Tezelli (PSDB), que é favorável à proposta.

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