HORA DO RUSH - Trânsito à prova de paciência
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quinta-feira, 20 de março de 2008
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Você sabe que está diante de um legítimo congestionamento quando um longo trecho de avenida leva o mesmo tempo para ser percorrido de carro ou a pé. Se isso ocorre diariamente nos mesmos períodos, então temos a chamada ''hora do rush''. Em Londrina, já existem ambos os fenômenos - o que não deveria ser motivo de orgulho, ainda que reflexo do crescimento.
O melhor - ou pior - exemplo está Avenida Winston Churchill, um dos principais corredores de acesso da Zona Norte ao Centro da cidade. Por volta das 8 horas da última quarta-feira, a reportagem cronometrou o tempo consumido para atravessar a via a partir da Rua Arcindo Sardo - onde o fluxo começa a ficar lento - até o viaduto da Avenida Brasília. Para percorrer o trecho de menos de 500 metros, o veículo da FOLHA levou exatamente 6 minutos.
Antes que alguém brade que o motorista de Londrina deveria estagiar em São Paulo antes de reclamar de congestionamento, é bom que se frise: aqui o problema incomoda justamente por ser relativamente novo. Seis minutos de trânsito praticamente parado podem ser fichinha para o paulistano preparado para fazer barba e bigode dentro do carro, mas são uma eternidade para o londrinense acostumado a sair em cima da hora devido às distâncias menores. O próprio horário de pico denota isso: se nas capitais ele começa às 6 horas da manhã, aqui só ganha força após as 7h30.
''É sempre assim, de segunda a sexta-feira. Se não cuidar, você chega atrasado mesmo'', comentou um motorista enquanto aguardava o sinal verde na ''reta final'' da tumultuada Winston Churchill. ''Você leva 10 minutos só na avenida. É carro demais e alguns motoristas vão muito devagar'', sintetizou outro, na pressa de chegar a sua oficina na Região Central.
Além do trecho mencionado, o diretor de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Júnior, identificou outros quatro pontos de estrangulamento nos horários de entrada e saída de trabalhadores e estudantes (das 6h30 às 8 horas e das 17h30 às 19 horas): a Avenida Madre Leônia Milito, debaixo do viaduto da rodovia PR-445; a Avenida Goiás, principalmente no cruzamento com a Rua Escoteiros; a Rua Souza Naves, perto do cruzamento com a Avenida Bandeirantes; e a Avenida Maringá, em boa parte de sua extensão.
Quando ouviu a palavra ''congestionamento'', porém, Grotti se apressou em dizer que ''isso é em São Paulo''. ''Londrina tem horários e locais críticos. Alguns pontos se tornam complicados no início da manhã e final da tarde, mas não vejo como casos sem solução'', minimizou.
Três fatores principais explicam o problema, conforme o diretor. O primeiro deles é a geografia da cidade. ''Somos privilegiados por conta dos nossos fundos de vale, mas eles prejudicam a questão viária. Dispomos de poucas vias de acesso direto ao Centro'', analisou, citando os parcos exemplos: as avenidas Winston Churchill, Carlos João Strass e Lúcia Helena Viana, na Zona Norte; as ruas Humaitá, Fernando de Noronha e Goiás, na Zona Oeste; e somente a Avenida Higienópolis, na Zona Sul.
Outro fator é o crescimento desenfreado da frota automobilística, que atualmente ultrapassa 235 mil veículos - praticamente um para cada dois habitantes. O número tem aumentado, em média, 8% ao ano, indicativo de que a frota londrinense poderá ser reforçada com aproximadamente mais 20 mil veículos até o final do ano.
Somente em fevereiro, segundo dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), foram emplacados 1.787 veículos no município, 6% a mais do que no mês anterior. Em comparação com fevereiro do ano passado, o número foi 11% maior.
O congestionamento também tem origem no comportamento dos motoristas. Quem nunca ouviu dizer que ''londrinense dirige mal''? Grotti prefere dizer que ''temos alguns defeitos na questão da condução''. ''Não se respeita sinais de trânsito e locais de carga e descarga, pára-se muito em fila dupla, e depois ainda reclamam quando levam multa. Também atrapalha o fato de muitos motoristas retardarem a reação de saída nos semáforos - tem gente que demora três, quatro segundos para avançar quando o sinal abre'', observou.


