"‘Você prefere ler ou brincar com os colegas?’’. ‘‘Ler, sem dúvida’’. Parece difícil imaginar uma criança na faixa etária dos seis aos 14 anos dar uma resposta dessa. Na Escola Municipal José Garcia Villar, no Jardim Interlagos (Zona Leste de Londrina), contudo, o que não falta é aluno dentro da biblioteca disputando espaço nas mesas e nas listas de espera das reservas de determinados livros.
  A professora Regina Silva Lourenço, responsável pelo setor, conta que a iniciativa de incentivar a leitura começou aos poucos, atraindo os pequenos para a biblioteca, inicialmente, com jogos. O que parecia recreação logo foi se revelando – ‘‘eu colocava livros em cima das mesas, como quem não quer nada, e eles passaram a se interessar’’, diz Regina – tomando proporções cada vez maiores. Apesar de acontecer uma única vez na semana, com 30 minutos de duração, a ‘‘Hora do Conto’’ (como passaram a ser chamadas as aulas de leitura) já conta hoje com os mais de 850 estudantes da instituição distribuídos em 28 turmas, do pré à Educação de Jovens e Adultos (EJA). ‘‘Geralmente, nas séries iniciais, não há tanto interesse pelo autor. Nessas aulas, o grupo aprende a não escolher um livro aleatoriamente, e, sim, de acordo com o senso crítico de cada um’’, conta a professora.
  Outros pontos-chave da atividade são a interdisciplinaridade e pluralidade de temas que vão para discussão. ‘‘Em cima das histórias dos livros, trabalhamos desde questões éticas até sexualidade. Além disso, ler os auxilia muito em interpretação de texto, o que é exigência de qualquer disciplina’’, completa.
  Assim como outras escolas da rede, o colégio recebe assessoria da Secretaria Municipal de Educação para aplicar as atividades de leitura – as quais, por sinal, são estendidas a ex-alunos da José Garcia Villar e à comunidade. ‘‘Esse tipo de dinâmica na biblioteca é muito positivo, pois nos força a atualizar sempre a lista de livros. Nesse sentido, uma parceria com editoras ou livrarias nos ajudaria muito, já que a maior parte das obras são compradas com recursos da Associação de Pais e Mestres (APM)’’, comenta o diretor Lucas Gonçalves de Souza.
  Alheios à origem dos livros e compenetrados no proprósito da aula, os alunos valorizam cada minuto de atividade. ‘‘Ler é a melhor coisa que existe, pois a gente flutua na história’’, compara Mariana Chaves Teodoro, 8, aluna da segunda série. Ela diz ler até cinco livros por semana, inclusive à noite, enquanto as avós ficam nas aulas do EJA. Já Yuri Tetsuo Silva, 10, da quarta série, lê apenas um livro semanalmente. As vantagens que ele observa, entretanto, são bem mais numerosas. ‘‘Aprendi a escrever e a falar melhor, além de ler bem mais rápido’’, enumera ele, que inclusive cita a autora preferida: ‘‘Ruth Rocha’’, conta.

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