Hora da chuva
HORA DA CHUVA
Dorico da Silva
O banho
adolescente em
ducha pública
Há cidadãos de todo tipo, e a chuva os revela. Há quem fuja do banho extraordinário, protegendo pastas, bolsas e roupas, lotando a beirada das lojas, retardando a saída do trabalho, ficando mais um pouquinho no bar. Há os que observam impacientes, de olho no pulso, a trajetória cinzenta das nuvens. Há os urgentes e precavidos, que abrem o guarda-chuva preto furado ou a sombrinha florida, com mais destreza que o próprio Pinguim, inimigo do Batman. Há os que se limitam a fechar o pára-brisa do carro e ligar o ar condicionado (no caso do BMW), o ventilador (no caso do Passat), o rádio FM (no caso do Escort) e nada (no caso do velho Fusca). Mas, categoria menor, há os que enfrentam a chuva. Ficar ensopado para eles nada importa. É o caso do esportivo trio aí da foto. Bermudas, sorriso no rosto, nada de valor nos bolsos, tênis sem meia, tarde sem compromisso, humor nada sutil da adolescência e dança desengonçada de hormônios jovens, eles se divertem sob a ducha ao ar livre, criada pelo Correios de Londrina. E desdenham os enxutos. Resta saber quem gritou: Crianças, hora do banho!





