Homossexuais acusadas de duplo assassinato têm prisão decretada
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segunda-feira, 08 de junho de 1998
James Alberti 
A juíza de São José dos Pinhais, Marcelise Weber Lorite, decretou domingo a prisão preventiva, por 30 dias, do casal homoxessual Vanessa Quinterino Naves, 19 anos, e Ágata Cristina Précoma, 18 anos, que confessaram os assassinatos de Elisabeth Bruna Précoma, 41 anos, e Genoveva Précoma, 81 anos - mãe e avó de Ágada. A causa dos crimes teria sido a rejeição da família ao namoro das duas.
As garotas foram detidas ainda no sábado pela polícia civil, porque estariam sendo ameaçadas de morte. Populares e vizinhos das vítimas estariam querendo linchar as acusadas, que dormiam na casa onde moravam as duas mulheres mortas por estrangulamento. Aqui o povo está querendo matar, disse ontem Alcebiedes Alberto Juliane, que trabalha numa loja em frente à casa das vítimas. No 9º Distrito Policial, para onde foram levadas, as garotas tiveram de ser colocadas em uma cela separada das outras detentas, que também queriam agredi-las, afirmou o delegado-adjunto Celso Neves.
As duas, que serão defendidas pelo advogado Osmann de Oliveira, o mesmo que denfendeu Celina e Beatriz Abagge no caso Evandro, não quiseram falar com a imprensa ontem. Elas foram aconselhadas pela juíza de São José dos Pinhais a não repetir as fotos de beijo que fizeram depois do depoimento, o que teria causado a tentativa de linchamento. Osmann disse que as acusadas estão revoltadas com o apresentador de televisão Ricardo Chab, pessoa que as duas procuraram para confessar o crime. Segundo o advogado, elas acham que as coisas foram distorcidas.
Dono de um bar ao lado da casa das vítimas, o comerciante Luiz Carlos Fontana, que conhece a família há 22 anos, confirmou que mãe e filha haviam brigado na noite de sábado, quando Ágata teria dito que não voltaria para casa. Teria voltado no domingo à noite, em companhia de Vanessa, quando ocorreram os crimes. Segundo Fontana, Ágata tinha um filho, de dois anos e meio, que morreu quando dormia em fevereiro passado.
O delegado operacional Hormínio de Paula Lima Neto disse que o crime foi planejado pelas jovens depois que a mãe e avó de Ágada começaram a criticar o relacionamento das duas. Para não levantar suspeita, elas teriam simulado o enforcamento da mãe, presa a um fio de nylon. Os corpos foram descobertos apenas na terça-feira, quando uma amiga da família chamou a polícia. Desde o início, a polícia trabalhou com a possibilidade de homicídio, seguido de suicídio. As confissões das garotas surpreenderam a todos.


