Lúcio Horta
De Londrina
Uma coincidência de nomes tem atormentado a vida de um funcionário da indústria Elevadores Atlas, de Londrina. Edson Alves da Cruz, mecânico de 42 anos, tem exatamente o mesmo nome do funcionário da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) – depois transferido para a Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) – que teria revelado detalhes de um esquema de corrupção envolvendo licitações fraudulentas na administração municipal. Resultado: como o nome do mecânico consta em lista telefônica, ele tem recebido diversas ligações de pessoas procurando o ‘‘Edinho’’, como é chamado o homônimo.
‘‘Estou muito preocupado, principalmente com a segurança de minha família. Porque do jeito que anda esse País... Hoje (ontem) nem trabalhei direito’’, desabafou o mecânico. Ele é funcionário da Atlas há 12 anos e se transferiu de São Paulo para Londrina em setembro do ano passado, para trabalhar na fábrica recém-inaugurada. Trouxe a esposa e os quatro filhos.
Segundo o mecânico, os telefonemas começaram há cerca de um mês, em horários que vão das 11h30 da manhã até a meia-noite. A pergunta é sempre a mesma: ‘‘Aí é casa do Edinho?’, questionaram. Geralmente, quem atende é sempre a esposa dele, Márcia Bendiscas Cruz, 38. ‘‘Respondo que não, que aqui não é a casa do tal de Edinho, e eles desligam, dizem que ‘talvez não seja a mesma pessoa’’. Mas nunca se identificaram nem fizeram ameaça’’, aponta Márcia.
O último telefonema ocorreu anteontem e o próprio Edson, o mecânico, atendeu a ligação. ‘‘Também não se identificaram, apenas perguntaram meu nome e desligaram’’, disse. O mecânico acrescenta que pouco sabe sobre as denúncias envolvendo a administração municipal. ‘‘Parece que esse Edinho denunciou uma máfia e agora está fugido. E agora a gente fica meio perdido nesse caso’’, disse.
Edson Alves, o mecânico, também informou que ainda ontem iria à Sercomtel, no centro da cidade, pedir para que o número do telefone da casa dele seja trocado. Além disso, não permitirá mais que o nome dele conste na lista telefônica do próximo ano.
Sobre a vida em Londrina, onde mora no Conjunto João Paz (zona norte), ele afirmou que tem gostado, apesar do problema com o homônimo e o aumento da violência na cidade. ‘‘Aqui é bom, melhor do que lá (São Paulo), mas também tem começado algumas coisas. O vizinho teve a bicicleta roubada, levaram a bicicleta do meu filho e também tem muito arrombamento de casa. Podia ser melhor’’, considerou.

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