Luciana Pombo
De Curitiba
A Polícia Civil deverá ouvir na próxima semana os quatro policiais militares acusados de agredir e levar à morte um travesti conhecido como ‘‘Kérica’’, na madrugada de domingo, na Rua Piquiri, Centro de Curitiba. O travesti morreu de hemorragia interna provocada por uma ruptura do fígado em decorrência de ação violenta.
De acordo com as primeiras testemunhas que foram ouvidas, Kérica teria discutido com policiais militares que queriam cobrar uma espécie de taxa para que ela usasse o ‘‘ponto’’. Ela teria recusado. Mateus Ramos Júnior, que também fazia ponto no local, declarou que viu a agressão dos policiais militares.
Outra testemunha, identificada como Alexandre de Lima Neto, contou que esta não foi a primeira vez que Kérica apanhou de policiais militares. ‘‘Ainda estamos iniciando as investigações, mas os indícios apontam os militares como os autores da agressão’’, declarou Fauze Salmen, titular da Delegacia de Homicídios. Durante esta semana ele pretende identificar o taxista que teria socorrido o travesti.
Ontem a comunicação social da Polícia Militar continuava negando a participação dos militares na agressão ao travesti. De acordo com o major José Paulo Betes, Kérica teria tentado assaltar um cliente, identificado como Dirceu Fernandes Júnior. Eles teriam entrado em luta corporal. Depois, o travesti teria chutado o vidro do carro. ‘‘A vítima correu e veio pedir ajuda ao destacamento militar. Quando os militares chegaram, o travesti já tinha se levantado e pegou um táxi para ir para a casa’’, defendeu ele.
Para apurar os fatos, foi instaurado um inquérito policial militar que será presidido pelo capitão Sérgio de Souza, do Comando de Policiamento da Capital. ‘‘Não dá para dizer que os quatro militares são inocentes. Se constatado crime, eles serão expulsos da corporação’’, considerou.
Encaminhado para a Homicídios como o autor das agressões, Dirceu Fernandes Júnior negou que tenha entrado em luta corporal com o travesti. Ele contou que parou para conversar com Kérica na noite do crime. O travesti teria pedido R$ 10,00 para o passeio e quebrado a janela do carro antes de adentrar no veículo. ‘‘Eu o ouvi e descartei a possibilidade da agressão ter ocorrido rapidamente naqueles poucos instantes. As agressões em Kérica eram muito fortes’’, destacou Salmen.

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