Com a experiência acumulada de 35 anos no Instituto de Criminalística, o perito criminal Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho disse ontem que é grande a possibilidade de haver ''grupos de morte'' atuando em Londrina. Para ele, esses grupos responderiam por boa parte dos homicídios registrados na cidade e estariam à serviço do tráfico de drogas.
''São grupos contratados para matar pessoas'', apontou o perito. Para ele, há características comuns a muitas mortes: vítimas com passagem policial e envolvidas com uso e tráfico de drogas; o uso de motocicletas para pratica do crime e o calibre mais potente das armas. À isso soma-se, segundo Oliveira Filho, uma mudança de mentalidade da juventude, que abandonou o sonho de ser um ''novo Pelé'' e hoje estaria mais interessada no ''currículo'' do narcotraficante Fernandinho Beira-Mar.
Assim como já avaliou a Delegacia da Polícia Federal, o perito explicou que o tráfico em Londrina não é arquitetado por um grupo de grandes traficantes. Ao contrário, a droga chega diluída entre diversos traficantes que comandam áreas nos bolsões de pobreza usando os chamados ''aviões'' pessoas que vendem a droga no varejo. Sem organização específica, os chefes se valem do terror para manter seus domínios. ''Quando um avião ou usuário não paga é preciso ter punição exemplar (pagando com a própria vida). São grupos de morte à serviço da organização criminosa do tráfico local'', apontou Oliveira Filho.
Parte do armamento usado pelos ''soldados do tráfico'' seria conseguido, segundo ele, através de roubos e furtos à residências. Já as armas de calibre mais potente, para o perito, podem estar sendo trazidas por fornecedores. Ele apontou que a Criminalística examinou, em fevereiro, uma média de sete armas por dia. O normal, revelou, eram apenas duas por dia. ''A balística nos está dando um sinal vermelho'', alertou o perito.
O delegado-chefe da 10Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, solicitou a fita com a entrevista dada pelo perito a uma emissora de rádio para tomar ciência das declarações. ''(Se houver comprovação pericial sobre o grupo) será uma prova de extremo valor para instauração de inquérito por formação de quadrilha'', destacou o delegado. Mas ele não acredita na existência de tais grupos por não dispor de nenhum indício de que estariam atuando. O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM), tenente-coronel Rubens Guimarães, comentou apenas que também não acredita na ''hipótese'' dos grupos de morte.

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