Um levantamento feito pela diretoria de pesquisa e planejamento do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina sobre os homicídios registrados no ano passado comprovou que esse tipo de crime pode ser evitado se houver políticas públicas de atendimento a pessoas com antecedentes criminais. A pesquisa constatou que das 125 vítimas assassinadas que constam nos registros da PM, 71 já possuíam antecedentes. Algumas pessoas já haviam acumulado 17 passagens até serem mortas. Entre os 57 autores identificados, 20 já possuíam passagens policiais.
O chefe da diretoria de pesquisa que apurou os dados, major Sérgio Dalben, destacou que 97 dos 125 assassinatos registrados pela PM em 2005 vitimou pessoas maiores de 18 anos - 44 delas não possuíam nenhuma passagem pela polícia mas 53 já tinham antecedentes. Algumas das vítimas chegaram a ser presas até 16 vezes pela Polícia Militar antes de serem mortas.
Entre as vítimas menores de idade 28 no total os números foram semelhantes: 18 dos adolescentes mortos já haviam sido detidos, sendo que cinco deles já somavam três passagens.
Entre os 57 autores de homicídio identificados pela PM, a mesma tendência se confirma. Os maiores de idade cometeram a grande maioria dos crimes 52 e 20 deles já tinham antecedentes criminais. Já entre os cinco adolescentes que cometeram assassinatos, todos já haviam sido apreendidos pela PM antes de matarem.
Para Dalben, o levantamento indica que o trabalho da PM está sendo feito, mas só ele não é suficiente para prevenir os crimes contra a vida. ''Toda as vezes que ocorrem homicídios há cobrança sobre a Polícia Militar. Com essa pesquisa, constatamos que já havíamos chegado na maioria das vítimas e mostrado que elas e suas famílias tinham um problema'', comentou. A deficiência, de acordo com o major, está na atenção dada após essa fase. ''É preciso união dos órgãos públicos para criar políticas públicas para que essa pessoa que já foi presa não volte a rescindir em crimes. Seria a saída para reduzirmos o número de homicídios em Londrina'', opinou o major.
Dalben citou como exemplo concreto do que foi apurado pela pesquisa o caso do adolescente Maicon Francisco Cosme da Silva, 16 anos, que no dia 29 de dezembro foi assassinado a tiros no Jardim São Jorge (Zona Norte), em frente à sua casa. Vinte dias antes, ele havia sido detido pela PM, no Conjunto Vivi Xavier, portando uma arma de fogo.
A pesquisa deve orientar ações conjuntas de órgãos públicos nas três esferas de governo federal, estadual e municipal já que a próxima etapa do trabalho, segundo Dalben, será encaminhar as constatações para a Polícia Civil, Ministério Público e secretarias municipais e estaduais. A idéia é fomentar discussões que possam auxiliar na criação de novas formas de atendimento para aqueles que já possuem antecedentes criminais e suas famílias.

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