Homens se unem contra violência à mulher
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de dezembro de 2008
Mariana Guerin<br>Equipe da Folha 
Londrina - Noventa mil assinaturas só no Paraná. Essa é a meta da campanha ''Homens unidos pelo fim da violência contra as mulheres'', lançada na manhã de ontem pela Secretaria da Mulher de Londrina.
Segundo a secretária Cida Oliveira, a iniciativa é mundial e partiu de uma convocação do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, em fevereiro deste ano.
A secretária explica que a campanha londrinense pretende lançar o site www.homenspelofimdaviolencia.com.br, que reunirá assinaturas de homens que apóiam as políticas de enfrentamento à violência contra a mulher. ''É uma oportunidade dos homens se comprometerem publicamente com a implantação da Lei Maria da Penha, que deixa de ser uma discussão apenas de mulher para mulher'', ressaltou.
Em Londrina, os primeiros a aderirem oficialmente à campanha foram o prefeito Nedson Micheleti e integrantes de sua equipe de governo, vereadores e autoridadeAs ligadas às universidades e sindicatos. Para a secretária, se antes as campanhas só falavam para as mulheres, chegou a hora de trazer os homens para o debate. ''Pela primeira vez a mulher sai do discurso de vítima para, junto ao homem, propor políticas públicas e mudar a realidade.''
Para divulgar a campanha, a Secretaria da Mulher montou uma barraca no Calçadão da Avenida Paraná, na esquina da Rua Professor João Cândido, Centro. Lá, os interessados puderam firmar sua assinatura virtual no site durante toda a tarde de ontem e, segundo a secretária, as atividades continuam hoje, das 9 às 17 horas. ''Basta dar o nome e o e-mail. Para os que não têm e-mail, os funcionários criarão um e-mail na hora e é só assinar.''
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que metade das mulheres assassinadas no mundo é morta pelo marido, namorado ou ex-companheiro. ''Pelo menos uma em cada três mulheres apanham, são violentadas ou forçadas a manter relações sexuais em algum momento de sua vida'', informou Cida, ressaltando que no Brasil, a cada cinco dias uma mulher falta no trabalho em decorrência da violência doméstica.
''É um prejuízo para a economia do País e para a sociedade como um todo, já que essas mulheres podem criar crianças agressivas, que crescem vendo agressões acontecerem dentro de casa'', opinou Cida. Segundo ela, o abaixo assinado virtual recolherá nomes pelo Brasil até julho do ano que vem, quando as assinaturas serão incorporadas à ação mundial que conta com a parceria do Fundo das Nações Unidas (UNFPA), Instituto Prómundo e da Ações em Gênero e Cidadania (Agende). A campanha mundial tem previsão para terminar em 2015.
Ainda conforme a secretária, a parceria entre os países e a ONU também permitirá aos governos avaliarem até onde avançaram nas políticas públicas de combate à violência. ''No Brasil, por exemplo, a Lei Maria da Penha só foi sancionada em 2006, mas o governo avançou bastante com a criação do Ministério da Mulher esse ano'', citou Cida Oliveira.


