Curitiba - Dados divulgados pela Pesquisa sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para Fins de Exploração Sexual Comercial (Pestraf) demonstram que os homens aparecem com maior incidência no processo de aliciamento ou agenciamento de mulheres, crianças e adolescentes nas redes de tráfico para fins sexuais.
Em 59% dos casos, os homens procuram as mulheres - sempre ressaltando a possibilidade de crescimento profissional no exterior. Os aliciadores têm idades entre 20 e 56 anos e procuram mulheres entre 20 e 35 anos. A pesquisa identificou que entre os 161 aliciadores já detidos pela Polícia Federal, 52 eram estrangeiros.
Os aliciadores são normalmente proprietários ou funcionários de boates ou estabelecimentos que fazem parte da rede de favorecimento à prostituição. Segundo o estudo, as redes se organizam como uma teia de atores que desempenham funções diferentes (aliciadores, proprietários, empregados e intermediários), com o objetivo de lucro.
Muitas das empresas do ramo de turismo, entretenimento, transporte, moda, indústria cultural e pornográfica, agências de serviços (massagens, acompanhantes) são de fachada para o crescimento do negócio e o recrutamento das mulheres.
A Região Sul aparece na pesquisa como problemática, por conta da fronteira com países da América Latina e a proximidade com a Região Sudeste. Das pessoas identificadas, adolescentes e mulheres são as mais traficadas, não havendo registro de rotas pelas quais sejam transportadas crianças.
A via terrestre é a mais utilizada, com destaque para táxis, caminhões e ônibus que partem, em especial, de municípios do Rio Grande do Sul e do Paraná. Já no tráfico externo, por via aérea, surgem com mais ênfase os municípios do interior do Paraná, Foz do Iguaçu e Curitiba, a partir dos quais as pessoas são traficadas para a Espanha e para a Argentina.(L.P.)

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