Homens são minoria em visita no 3 DP
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terça-feira, 06 de março de 2007
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Os homens nem sempre têm a mesma determinação das mulheres quando precisam, religiosamente, comparecer no distrito para visitar namoradas ou familiares. ''Eu venho toda sexta-feira já faz um ano, mas a maioria não vem, não. De repente pode até arrumar outra mulher e aí deixa essa de lado'', revela José (nome fictício), que visitava a mulher do 3º Distrito Policial (DP). ''Você vão viu a reportagem da TV que mostrou que quase 70% dos homens arrumam outra mulher quando a deles vai presa? Isso é verdade mesmo'', assegura.
De acordo com informações do delegado responsável pelo DP, Valdir Fernandes, em dias de visita os homens são metade das mulheres. ''Temos 85 presas e vêm 40 mulheres e cerca de 20 homens.'' Ele não acredita que o adultério seja o motivo da pouca presença masculina. ''A maioria deles trabalha e não pode deixar uma tarde de serviço para vir. Tem marido que vem de vez em quando, fica dez minutos e já vai para o trabalho. Alguns homens podem até arrumar outra mulher, mas não acredito que seja isso que os impede de vir.''
Como o distrito está superlotado, tem capacidade para 36 mas abriga 85 presas, as visitas íntimas são organizadas pelas próprias mulheres. ''Não temos condições e nem lugar para proporcionar isto, mas elas mesmas se combinam entre elas, saem e deixam o casal sozinho'', diz Fernandes. José confirma e ainda garante que consegue ter momentos de intimidade. ''Dá para namorar. Acho que a nossa visita aqui é tranquila''.
A dona-de-casa Maria aguardava a mãe dela, que tinha entrado para ver uma sobrinha. ''Os pais não querem saber dela. Mas mesmo assim a gente vem. Trouxe duas sacolas com compras, por que como ela vai ficar aí se ninguém ajudar?'' Ela contou que costuma ver poucos homens na fila de espera da visita. ''Hoje vi uns três, depois chegaram mais dois. Eles não vêm muito, não''.
O irmão de Maria também esperava a mãe. ''Falei com a minha sobrinha e disse que tudo ia dar certo. Ela sempre pede forças e diz que ali é o último lugar que queria estar''. Ele, que diz nunca ter entrado em uma delegacia, não pareceu impressionado com o lugar. ''Acho que é uma chance dela se regenerar. Ninguém gosta de estar aqui, é claro, mas apesar de tudo talvez ela possa aprender alguma coisa''.


