Homens presos em flagrante acusam PM de espancamento
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quarta-feira, 28 de agosto de 2002
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Maringá - Os presos Cláudio Roberto Pires, 32 anos, e Valdomiro Camargo Ferreira, 32, denunciaram ontem terem sido vítimas de tortura por um grupo da Polícia Militar de Maringá. Os dois foram presos, anteontem à noite, por volta das 18h30, em flagrante por roubo, porte de arma e falsa identidade.
Pires e Ferreira confirmam a prática dos crimes e também a resistência à prisão, mas disseram que antes de irem para a cadeia foram levados para uma sala do 4º Batalhão da Polícia Militar (4º BPM) onde teriam sido espancados por cerca de duas horas seguidas. Os dois foram encaminhados para a cadeia da 9 Subdivisão Policial de Maringá, por volta das 21h30. Ferreira contou que foi jogado no chão pelos policiais e levou mais de 50 chutes no rosto, costas e peito.
Segundo o Boletim de Ocorrências registrado na 9 SDP, a PM recebeu um comunicado de roubo contra duas lojas na cidade. Com informações sobre a descrição física dos assaltantes, uma viatura da PM iniciou a ronda, localizando Ferreira e Pires, de motocicleta, em um bairro de Maringá. Conforme a PM, os dois resistiram à prisão e por isso teriam sofrido as lesões.
Pires e Ferreira disseram que resistiram porque foram parados por uma viatura descaracterizada da Polícia Militar e que no momento da abordagem, os policiais não se identificaram. Segundo o delegado-adjunto da 9 SDP, Nilson Rodrigues, a situação configura, por enquanto, uma resistência a prisão e não a prática de tortura. Pires já ficou por 14 anos preso na Penitenciária Central do Estado e há um mês estava fora da Colônia Penal Agrícola. Ferreira não tem passagens pela polícia.
A Polícia Militar nega a tortura. O comando da PM não se pronunciou ontem porque o período da tarde era de folga no batalhão.


