Homens lideram entre infectados por HIV
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terça-feira, 01 de dezembro de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local 
Os homens são maioria em Londrina quando o assunto são infectados pelo HIV. É o que aponta um levantamento do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) do município, para o Dia Mundial de Luta contra a aids, celebrado hoje. De cada dez novos casos diagnosticados como soropositivos, sete envolvem homens. Neste ano, até ontem, de 78 testes que deram positivo no centro, 62 envolviam pacientes do sexo masculino e 16 do sexo feminino, o equivalente a 79% das situações. Em 2014, foram 48 homens e 22 mulheres infectados, uma taxa de 68%; enquanto em 2013, houve o registro de 64 homens soropositivos e 13 mulheres com a confirmação de infecção por HIV. Na época, o percentual de homens entre os infectados era de 83%.
A maioria deste público, homens e mulheres, comenta a gerente municipal de DST/HIV, Hilda Baptistotti, tem entre 15 e 39 anos de idade. "No caso dos homens, eles não têm como culpar outra pessoa por não usar camisinha. É diferente da mulher, que, muitas vezes, não tem poder na relação para isso", analisa Hilda. Conforme ela, boa parte dos novos diagnósticos ainda está na fase assintomática, embora alguns dos infectados mais jovens já apresentem sintomas da aids.
Na avaliação da gerente municipal, ainda há resistência em relação à prevenção do vírus HIV, sobretudo entre os homens. "A maioria são pessoas instruídas, que têm conhecimento sobre a necessidade do uso da camisinha, mas que não querem usar o preservativo", pontua. As contaminações também vêm ocorrendo mais cedo. Os sintomas, contudo, levam de cinco a oito anos para se manifestar no paciente. "Infelizmente, a camisinha ainda é encarada como um castigo, um peso, sendo que é algo leve e que veio para somar", assinala Hilda.
Para estimular a adesão à prevenção da aids, a Secretaria Municipal de Saúde reorganizou a forma de distribuição dos preservativos nas unidades básicas de saúde (UBS). Antes, a dispensa exigia apresentação de documento por parte de quem desejava retirar a camisinha. Agora, os preservativos ficam à vista nos postos e podem ser pegos sem qualquer tipo de exigência. "Algumas pessoas se sentiam inibidas da forma como era feito", observa a gerente.
Mesmo com a facilitação no acesso aos preservativos, o constrangimento ainda paralisa os usuários na hora de fazer uso de um direito que é seu. No Conjunto Jamile Dequech (zona sul), o cesto com camisinhas na recepção chamava a atenção de manhã, mas nem por isso atraía interessados. "Fico com vergonha de pegar, acabo comprando. Deixar na entrada assim é muita exposição para gente", afirma a dona de casa Pamela Mendes, de 25 anos.
Testes rápidos de HIV podem ser feitos no CTA (Alameda Manoel Ribas, 1) e nas unidades básicas de saúde. Neste ano, já foram realizados 1.940 testes. O resultado sai em até 30 minutos e é confidencial.
REGIÃO
Na área da 17ª Regional de Saúde, de Londrina, 1.229 pessoas apresentaram manifestações da aids desde 2007. A taxa de infecção por 100 mil habitantes está em 8,4. Em Paranaguá, a região com o maior índice, a taxa é de 36 casos para cada 100 mil, enquanto na regional de Francisco Beltrão, não ultrapassa 2,5 a menor taxa do Estado.
Em Londrina, 237 pessoas, incluindo moradores de outras cidades da região, iniciaram tratamento contra a aids neste ano. "As pessoas agora não chegam a desenvolver a doença para começar a tratar. A partir do momento que há a sorologia positiva, o paciente já começam a receber o coquetel. O medicamento também mudou e hoje tem menos efeitos colaterais e precisa apenas de uma tomada diária", explica a chefe da 17ª RS, Teresinha de Fátima Sanchez.
Segundo ela, os municípios da região também recebem insumos da regional, como preservativos femininos e masculinos, para executar a política de prevenção ao HIV.
No Paraná, desde 2007, 13.695 casos de aids já foram confirmados, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde. Em Londrina, a Secretaria Municipal de Saúde estima que haja 11.160 pessoas vivendo com o HIV e que desconhecem a realidade. Dezessete mil fazem uso de medicação antirretroviral no Estado.


