Homens libertam 16 presos do 5º DP
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sexta-feira, 22 de novembro de 1996
Célia Baroni 
Três homens, dois deles encapuzados, armados com pistolas automáticas e facões, invadiram o 5º Distrito Policial (zona norte), por volta das 20 horas de quarta-feira, libertando 16 presos. O policial civil José Carlos de Souza, único que fazia a segurança do distrito na noite de quarta-feira, foi dominado e obrigado a abrir as celas 3 e 4.
Após ser dominado, o policial foi preso em uma das celas e sua arma, calibre 32, roubada. A ação durou poucos minutos, segundo o delegado do 5º DP, Algacir Antônio Ramos, e libertou 16 dos 44 homens detidos no local. Dos que fugiram, apenas quatro não eram condenados. O restante respondia por roubos (com violência), tráfico de drogas e latrocínio. Para o delegado, a operação foi montada com o objetivo de libertar o traficante José Donizete Aparecido dos Santos e o latrocida José Francisco de Jesus, o Cambulê.
José Francisco de Jesus esteve envolvido no assassinato do comerciante Luiz Roberto Zaniratto, morto com um tiro durante um assalto à sua residência, no jardim Shangri-lá. Ele estava detido no 3º DP, no jardim Bandeirantes (zona oeste), mas foi removido para o 5º DP após tentativa de fuga. No início de agosto, ele foi recapturado pelos policiais no pátio do colégio estadual Kazuo Ohara, que fica ao lado do 3º DP.
Os invasores entraram no 5º DP pela porta do fundo, que funciona como saída da sala de plantão e dá para o estacionamento. A porta, conta o delegado, abre facilmente se forçada. Pego de surpresa, o policial não teve tempo de reagir. Os invasores entraram pedindo pela cela 4, onde estavam o Donizete e o Cambulê, conta o delegado.
Ramos acredita que os invasores só não abriram as demais celas porque tinham de agir rápido, tendo tempo apenas de também abrir a de número 3. Na sequência, eles fugiram pelo pátio do distrito, onde um deles abandonou a máscara utilizada durante o resgate dos detentos. Até ontem, por volta das 18h30, a polícia não tinha pistas dos fugitivos. Vizinhos viram alguns deles pularem o muro que dá para a Igreja Missionária Peniel (evangélica), que fica nos fundos do 5º DP, e alcançarem a rua.
Há informações ainda de que alguns fugitivos teriam utilizado uma Pampa para fugir. O delegado informou que várias equipes estão empenhadas na recaptura dos fugitivos e começa a ouvir hoje o testemunho dos moradores vizinhos ao distrito. Ainda hoje ele pretende também ouvir o depoimento de Luiz Antônio Rodrigues, preso por receptar mercadorias roubadas. Ele estava na cela 4 mas não quis fugir.
Para o delegado, os principais responsáveis pela fuga é a falta de policiamento externo e de recursos humanos. Os investigadores são obrigados a fazer o papel de carcereiros. No 5º DP havia 44 homens detidos nas seis celas do distrito, quando a capacidade máxima é de 24 homens. Mesmo após a fuga, o distrito continuou lotado (28 homens) e já na parte da manhã recebeu outros 8 presos, transferidos do 3º Distrito Policial (zona oeste).
Fugiram do 5º DP na noite de quarta-feira: Anderson Gonçalves Serafin, o Dentista; Amarildo Custódio de Souza, Branco; Carlos Barbosa, o Cal; Claudino Avelino dos Santos o Cabecinha; Clodoaldo José Fernandes, Belô; Edvaldo Batista de Oliveira, o Paulicéia; Ednaldo Magnani; Jorge Alves dos Santos Júnior, o Juninho; Jorge de Oliveira; José Donizete Aparecido dos Santos; José Francisco de Jesus, o Cambulê; Leandro do Carmo Vieira, Tandinha; Moisés de Souza Melo, Polaco; Paulo Tullio; Pedro Fernandes Guerreiro Júnior, o Pig; e Sandro Lopes de Souza, o Baseado.


