Homens jovens são as principais vítimas
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segunda-feira, 17 de março de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Pesquisa feita pelo Núcleo de Informações em Mortalidade (NIM) de Londrina constatou que o município registrou 6.017,5 anos potenciais de vida perdidos (APVP) no ano passado, resultado 230% maior do que o registrado em 2000 2.602,5 anos. Uma das causas que mais contribuíram para esse aumento foi o crescimento no número de homicídios, que vitimaram principalmente homens jovens, fenômeno classificado como epidemia social por muitos estudiosos.
O estudo é feito desde 1994 e funciona como um indicador dos efeitos das mortes prematuras para as cidades. Ele é baseado no total de óbitos ocorridos no ano. Para calcular o APVP, é levado em conta a idade da pessoa quando morreu e o ideal de vida de 70 anos.
Como acontece desde 2000, os assassinatos encabeçaram a estatística de morte. A maioria das agressões (89%), segundo o levantamento, foi provocada por armas de fogo. A responsável pela Diretoria de Informações em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Maria Luiza Iwakura, destacou que até a virada do milênio a principal causa do APVP estava no trânsito. A partir de 2000, os acidentes de transporte se estabilizaram ao passo que o número de homicídios só cresceu.
Ela exemplificou que no primeiro ano em que a pesquisa foi feita, o total de acidentes de transporte era duas vezes maior (3.686) que o de homicídios (1.527). Hoje, a conta sobre os assassinatos ultrapassa os 6.000,00 anos enquanto o de acidentes de trânsito estão abaixo dos 3.000,00.
De acordo com Iwakura, a maioria dos óbitos por homicídios em 2002 (o NIM trabalha com 151 mortes) foi registrada na faixa etária entre 20 e 29 anos 63 mortes. O número sobe para 111 óbitos quando somadas as 48 mortes de vítimas com idades entre 15 e 19 anos. Na avaliação da diretora, esses números comprovam que as pessoas estão morrendo por causa da violência e cada vez mais jovens, no auge da vida produtiva. ''A partir de 2000, houve uma verdadeira explosão (do número de homicídios)'', comentou a diretora. O mês mais violento do ano passado foi dezembro, com 26 assassinatos.
Para a promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina Maria de Paula, a estatística revela a pior face da extrema concentração de riquezas do país. Ela estimou que hoje o Brasil pobre está em luta com o Brasil rico e os dois estão perdendo a guerra. ''Já atingimos um nível de insuportabilidade, vivemos num estado de calamidade pública'', lamentou.
A promotora considerou que esse quadro só vai se alterar, a médio e longo prazos, se Estado/Sociedade/Família mudarem seus comportamentos. ''Coloco essas três partes no mesmo pé de igualdade'', declarou. Esse ataque, segundo ela, deve ter como foco a prevenção primária entre crianças de sete a quatorze anos, com ''bombardeios'' de valores sociais e morais. ''As crianças hoje estão criando códigos de honra com os bandidos. O principal deles é não dedurar'', complementou.


