Homens encapuzados fazem 30 reféns e assaltam pesqueiro
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2001
Marta Medeiros De Maringá Especial para a Folha 
Homens encapuzados e armados invadiram anteontem à noite o Pesqueiro do Pacu, localizado na PR-317, entre Maringá e Iguaraçu. Os assaltantes levaram dois tratores avaliados em mais de R$ 400 mil e mantiveram durante toda a madrugada 30 pessoas como reféns em uma das casas da propriedade.
A polícia chegou a utilizar um helicóptero para sobrevoar a região na tentativa de localizar os tratores, mas até o final da tarde de ontem não havia pistas ou identificação dos suspeitos do assalto. A polícia considerou a ação ousada e acredita que seja a mesma quadrilha que vem atacando indústrias, usinas e propriedades rurais no Noroeste do Estado.
Os assaltantes chegaram no pesqueiro por volta das 22 horas. Segundo as testemunhas, eram de oito a dez homens armados, cada um com dois revólveres, encapuzados e a maioria utilizando luvas.
Depois de atacar três funcionários na entrada do pesqueiro, os homens passaram pelas casas da propriedade e foram rendendo os demais empregados e familiares. As pessoas ficaram como reféns em uma das casas. Ninguém foi ferido.
Conforme o delegado de Astorga, José Luís Moron, responsável pelo caso, os assaltantes estavam bem preparados e em nenhum momento temeram a presença de algum outro funcionário que tivesse escapado da ação e chamado a polícia. Assim que ficaram com o controle da propriedade, os assaltantes embarcaram os dois tratores, uma pá-carregadeira e outro modelo esteira.
O delegado acredita que pode ter sido utilizado uma carreta tipo graneleira para comportar os dois tratores e permitir que fossem cobertos com lonas. Moron não descarta também a possibilidade dos assaltantes terem contado com a ajuda de alguém da região que tenha emprestado uma propriedade rural para esconder os tratores. O delegado disse à Folha que ficou impressionado com o modo de ação da quadrilha. Eles são especializados no que fazem e preparam até os mínimos detalhes, comentou Moron.
O delegado contou que entre os assaltantes deveria haver inclusive um tratorista porque eles não tiveram dificuldades em manobrar e embarcar os veículos no caminhão. Os tratores estavam em um local da propriedade de difícil acesso e foram utilizados durante o dia para serviços de terraplenagem. Eles tinham até mortadela preparada com veneno para dar aos cachorros do pesqueiro, acrescentou Moron.
Os peritos do Instituto de Criminalística da Polícia Civil não conseguiram recolher nenhuma impressão digital. Além dos tratores, os assaltantes levaram um telefone celular e três armas.


