São Paulo - Muitos homens estão, literalmente, dando o sangue para conseguir ser pais. Uma vacina feita com células do sangue do marido promete fazer com que mulheres que sofrem abortos recorrentes por fatores imunológicos ''segurem'' a gestação até o final.
O aborto de repetição é caracterizado pela perda de duas ou mais gestações antes da 20 semana. Afeta até 5% dos casais em idade reprodutiva. Nesses casos, uma das hipóteses é que o organismo feminino reconhece o embrião como um ''invasor'' (por causa da carga genética do pai) e o expulsa. Com a imunização, o corpo da mulher passaria a produzir anticorpos que identificam as proteínas de origem paterna no embrião e não mais o rejeite.
O tratamento é controverso por falta de evidência científica - não tem aprovação nem nos EUA e nem na Europa -, mas está disponível em oito Estados brasileiros, com taxa média de eficácia de 80%, segundo os médicos que o adotam. No Sistema Único de Saúde (SUS), apenas a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) oferece a terapia, com fila de espera mínima de seis meses.
Segundo o ginecologista Ricardo Barini, coordenador do ambulatório de aborto recorrente da Unicamp, antes de indicar a vacina é preciso se certificar de que o aborto tem causa imunológica, descartando outros fatores como problemas genéticos, má-formação do embrião e doenças infecciosas e uterinas. Ele também indica o tratamento em casos de falhas sucessivas de implantação do embrião pela técnica de fertilização in vitro.
Segundo o ginecologista Artur Dzik, diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, não existem na literatura internacional grandes trabalhos científicos demonstrando a eficácia da vacina. Ainda assim, a maioria dos médicos que trabalha com reprodução assistida indica a vacina, quando descartadas as outras possíveis causas de aborto recorrente.

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