Homens devem cuidar da saúde desde a adolescência
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segunda-feira, 16 de maio de 2005
Camilla Rigi<br> Reportagem Local 
A orientação dada a inúmeras adolescentes de procurar o ginecologista no início da vida sexual, também se aplica aos garotos, que nesta idade nem imaginam que a visita ao urologista pode evitar vários problemas futuros. Em uma tentativa de mudar a cultura de que os homens são ''mais fortes'' e conscientizá-los que também precisam de cuidados médicos, a Secretaria Estadual de Saúde lançou no último dia 30 de abril o projeto Paraná Homem.
Ainda na fase piloto, o projeto foi primeiramente implantado na região Noroeste do Estado. Segundo o coordenador do Paraná Homem, o urologista Manoel Guimarães, o governo firmou uma parceria com o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região de Paranavaí, por ser um sistema modelo. ''Além de distribuir material informativo, vamos fazer palestras e capacitar as equipes do Programa Saúde da Família (PSF) para atender os homens'', explica o médico.
A importância de um projeto voltado exclusivamente aos homens, segundo o vice-presidente da Sociedade Paranaense de Urologia, Horácio Moreira, é conscientizar que os cuidados com a saúde devem ser constantes. ''Um problema como varicocele pode aparecer aos 16 anos'', declara. A varicocele é o aparecimento de varizes nos testículos que podem resultar em infertilidade. ''Muitas vezes o homem só vai saber que teve o problema, depois que constituiu família e não consegue ter filhos'', conta Moreira.
A intenção do coordenador do projeto é que a educação resulte em prevenção. ''Algumas doenças, como câncer de testículos, têm 95% de chance de cura, se detectadas com antecedência'', relata Guimarães. Para tanto, o projeto prevê a capacitação de médicos do PSF para identificar sintomas das doenças mais comuns. ''Isso significa um ganho para toda família, pois muitas delas ainda têm o homem como arrimo de casa'', acrescenta.
Segundo Moreira, se a educação sexual for realizada de maneira correta na puberdade, o homem saberá da importância de se cuidar e não terá preconceito para fazer exames de doenças da próstata, por exemplo. ''Um toque retal é menos traumático que um exame ginecológico preventivo nas mulheres. Porém, elas já foram preparadas para passar por isso'', conta. O urologista confessa que, mesmo em clínicas privadas, é difícil os pais acompanharem o filho adolescente ao urologista.
Mesmo assim, Moreira acredita que já houve avanço na questão do preconceito, mas ainda está longe do ideal. ''Há 10 anos cerca de 70% dos casos de câncer de próstata detectados no Brasil estavam em nível avançado. Hoje, apenas 30% são doenças avançadas'', informa. De acordo com o médico, a preocupação com as doenças da próstata, como dificuldade para urinar e infecções constantes, deve ser intensificada aos 40 anos.
Depois dos 50 anos, o homem ainda passa por um outro processo, equivalente a menopausa na mulher, conhecido como andropausa diminuição da produção de hormônios como a testosterona. ''Nesta fase o paciente sente fadiga, letargia, tem dificuldade de concentração e até ereção'', detalha o urologista. Se estivessem preparados para detectar os sintomas e procurar um médico, Moreira acredita que os homens poderiam evitar muitas frustrações.
O projeto também pretende dar suporte à doenças sexualmente transmissíveis, enfermidades cardiovasculares e até problemas que envolvam a parte social, como o alcoolismo e o tabagismo. Porém, por enquanto, o resto do Paraná vai ter que esperar as primeiras avaliações do piloto. ''Em três meses checaremos os resultados e, só então, passaremos a estudar a expansão do programa pelo Estado'', declara Guimarães.


