Multidões resistindo ao calor e ao aperto para se prostrar diante do altar, milhares de velas sendo queimadas em nome das mais diversas graças, filas para confissão, e fora da igreja o festival de quitutes, flores e artigos religiosos que garantem o pão nosso de cada dia aos comerciantes. A sensação de cena já vista, ano após ano, é o que confirma a festa em homenagem à padroeira do Brasil como um evento atemporal.
Ontem não foi diferente. A programação religiosa que se estendeu das 5 horas às 20h30 no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Londrina, uniu diferentes gerações que viram modas, políticos e costumes caírem ao longo do tempo, enquanto a fé perdurou. Na Missa dos Enfermos, celebrada às 15 horas no santuário da Vila Nova (Área Central), a matriarca Edith Mascarenhas, 92 anos, renovou seu apelo por saúde e benção divina ao lado da neta Luciana, 45 anos, e da bisneta Sílvia, 21 anos. ''Pedi à Santa para andar dignamente em vida e morrer com toda a glória. Ela sempre me atendeu'', revelou a católica.
''A fé dela é tão forte que lá em casa todo mundo tem problema de coluna, menos a minha mãe. E não adianta dizer que a igreja está muito cheia, que é melhor vir outro dia. Ela sempre tem que comparecer no dia 12'', comentou a professora aposentada Lilian De Luca, 71 anos, filha de Edith, que preferiu se sentar na escadaria do santuário, do lado de fora.
Outra dupla unida pelo sangue, a crença e a disposição de enfrentar a distância - do Conjunto Milton Gavetti (Zona Norte) ao Centro - para assistir à missa foi Laíde Vaz, 50 anos, e sua mãe Divina, 80 anos, que já foi mais de dez vezes a Aparecida da Norte (SP). ''Vim pedir cada vez mais proteção para minha família e para o Brasil, que também anda enfermo'', compartilhou Laíde.
A aflição com o país, aliás, transpareceu também nas confissões - que aumentaram esse ano, segundo o pároco do Santuário, Moacir Calza. Quase 10 padres chegaram a atender nos confessionários ao mesmo tempo, ouvindo questões pessoais, familiares e até políticas. ''O sacramento da reconciliação é muito importante porque as pessoas reconhecem que no dia-a-dia é preciso ter mais amor, misericória, mansidão. Somente a partir de uma transformação interior é que a pessoa se torna fermento para uma transformação social e política'', professou. O padre calculou que mais de 30 mil fiéis passaram pelo santuário ontem.

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