Curitiba - Dois guardadores de carros que moravam juntos em um cortiço no Bairro Batel, um dos mais luxuosos de Curitiba, tiveram uma briga, por volta da meia-noite de terça-feira, e um deles ateou fogo no outro. Ricardo Araújo, de 45 anos, foi internado no Hospital Evangélico, com queimaduras de 3º grau em 98% do corpo. Segundo o hospital, alguns órgãos internos também foram afetados e a situação era gravíssima.
De acordo com testemunhas, a discussão começou pouco antes de meia-noite. O aposentado Valdevino dos Santos, que mora em um quarto vizinho, disse ter acordado com os gritos dos homens e batidas na parede. Logo depois, eles saíram e continuaram brigando na rua. ''Começaram a se agarrar e, de repente, um jogou alguma coisa, álcool ou gasolina, acendeu um fósforo e saiu correndo'', testemunhou o vigilante Carlos Batistel. As pessoas que estavam na rua tentaram apagar as chamas com areia. O serviço de resgate do Corpo de Bombeiros foi acionado e levou o homem ao hospital.
O cirurgião plástico José Luiz Takaki, responsável pela cirurgia plástica do Hospital Evangélico, disse que o mendigo chegou ao setor de queimados consciente. Ele teria tentado mentir seu nome, mas foi descoberto pela indicação da carteira de identidade. Araújo não quis dizer quem foi o agressor ou quantos foram e qual o motivo do crime.
A situação de Araújo é considerada gravíssima. Ontem ele estava semiconsciente, respondia a estímulos e estava sendo medicado. A previsão era a de que ele entrasse em coma por causa da desidratação profunda. Ele teria perdido mais de 14 litros de água em segundos. ''Temos que repor tudo o que ele perdeu em 24 horas. A verdade é que ele tem poucas chances de sobreviver'', salientou Takaki.
A queimadura no corpo de Araújo é de terceiro grau considerada a mais grave. Ainda ontem, ele foi submetido a uma cirurgia para abrir a pele e evitar o inchaço do corpo. Os tecidos mortos da pele também foram retirados junto com a areia observada no corpo. Os motivos do crime ainda são desconhecidos, mas serão investigados pela Polícia Civil. (Com Agência Estado)

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