Homem suspeito de usar nome de advogado
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terça-feira, 27 de julho de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Ter bom nome na praça rendeu dor de cabeça para o criminalista André Salvador. O advogado teve o nome ''clonado'' por um homem suspeito de aplicar golpes em pelo menos cinco pessoas. Com lábia e se fazendo passar pelo advogado, Oswaldo Martins de Melo, 42 anos, o Zoinho, foi localizado na manhã de ontem pela Polícia Civil de Londrina após uma de suas supostas vítimas ter tentado registrar queixa contra Salvador.
Uma empregada doméstica havia sido contratada pelo suposto advogado para trabalhar na casa de sua namorada. Sem conseguir receber o dinheiro, ela ainda caiu em outro golpe. Após contar que estava com problemas de crédito e cheques cancelados, Melo teria se apresentado como advogado prometido resolver a situação mediante R$ 180 e o talão de cheques.
Com os cheques da vítima, o suspeito, segundo a polícia, ainda realizou compras em um bazar. A polícia estranhou o caso da doméstica, viu que o endereço do suspeito não batia com o do advogado e entrou em contato com Salvador.
O criminalista já desconfiava do ''clone'' há cerca de dois meses, quando foi contatado por uma moça que pleiteava um emprego de secretária. ''Ela falou que teria conversado comigo na frente do (Edifício) Palácio do Comércio. Na época orientei-a a procurar a polícia assim que o rapaz a procurasse novamente.'' Na semana passada, uma outra moça entrou em contato com o advogado. ''O rapaz afirmou que para ser empregada ele precisaria do celular dela, a nota fiscal do aparelho e carteira de trabalho, que ela entregou'', conta Salvador.
O advogado se diz surpreso com o caso. ''Primeiro fiquei sentido em ver meu nome sendo utilizado dessa forma, depois fiquei abismado com a boa fé das pessoas em entregar documentos e dinheiro na rua, sem nem ao menos verificar para quem estão fazendo.''
Salvador chegou a conversar ontem com Melo, que teria argumentado que usou o nome porque era ''confiável''. O advogado não vai entrar com ação de indenização contra Melo. ''Falei para ele que se devolvesse o dinheiro e os objetos, eu desistiria de qualquer ação. Ele se comprometeu'', disse.
Depois da repercussão do caso, novas vítimas apareceram para registrar queixa no 1º Distrito Policial. Valdemar Venâncio Virgílio, 64 anos, afirmou que também caiu na lábia de Melo. Mas para ele, o homem deu o nome verdadeiro, só mentiu a profissão. Ele se fez passar por assessor de um candidato a prefeito. ''Ele fez uma compra e pagou, depois levou cinco bolas, quatro botinas e uma chuteira e disse que ia levar para o comitê. Até estranhei porque não se pode dar mais presentes na eleição mas ele falou que era particular.'' O total do prejuízo: R$ 260.
Melo, segundo a polícia, tem extensa ficha, com processos por estelionato, furto, porte ilegal de armas e falsificação de dinheiro. O homem, que fisicamente é muito diferente do advogado, será indiciado por estelionato. Na tarde de ontem, policiais faziam buscas para localizar celulares e outros produtos para devolver às vítimas.


