Adolfo Rosevicz Filho, em seus 28 anos de trabalho como investigador da Polícia Civil, já viu roubarem moeda de um centavo, avião e cadáver. ''Mas cobra é novidade.'' Renato Serra, 32 anos, natural de São João do Ivaí (75 km ao sul de Apucarana), saiu de casa ontem com um martelo em punho e um objetivo em mente: levar um animal do serpentário do Passeio Público, no centro de Curitiba. ''Conheço cobras. Nasci e fui criado no mato. Pegava elas no rio'', conta.
Ao meio-dia, Renato, que trabalha como pedreiro, quebrou duas paredes de vidro e pegou com as mãos uma caninana de um metro e meio. Disse que a escolha foi consciente. ''Peguei para ficar comigo por uns dois dias. Ia devolver depois.'' Se tivesse optado pela jararaca ou cascavel, outras das 18 colegas do animal roubado, seu destino poderia ter sido diferente. ''Ela me mordeu nas duas mãos quando fui colocá-la na garrafa'', explicou mostrando as mãos enfaixadas. Utilizou como recipiente uma embalagem plástica para cinco litros de água e colocou o animal pela cabeça, passando-o por um pequeno orifício.
''Populares apontaram, dizendo: 'foi ele, foi ele''', conta o guarda municipal Anderson Artur Cardoso, que o prendeu na esquina das ruas Riachuelo e Carlos Cavalcanti, a uma quadra do local do roubo. No começo do ano, o serpentário chegou a ter uma de suas paredes de vidro quebradas, mas nenhum animal foi levado, como lembra o responsável pelo espaço, Dinor de Paula, 41. ''Ela já retornou, mas está sob observação, pois ficou muito estressada.''
Dinor explica que o animal passou os últimos meses sob dieta especial, pois andou doente. Sua alimentação normal, seria um camundongo vivo às segundas-feiras. ''Eu sei que elas são alimentadas apenas uma vez por semana. Como só ia ficar dois dias lá em casa, nem ia dar nada para ela comer'', explica o responsável pelo roubo. Segundo o superintendente da delegacia onde está preso, ele pode ser autuado por furto qualificado (de dois a oito anos de detenção) e crime contra o patrimônio público, por ter quebrado os vidros (o que pode dar de seis meses a três anos de prisão).

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