Homem preso por prática ilegal da medicina
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quarta-feira, 27 de abril de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O terapeuta holístico Davi dos Santos, 61 anos, foi autuado em flagrante ontem pela Polícia Federal (PF) por exercício irregular da medicina. Equipamentos, recibos e receitas foram apreendidos na casa dele, no Jardim Hedy, na Zona Oeste de Londrina. Ele foi interrogado pelos policiais federais e liberado em seguida.
Entre o material apreendido, a polícia recolheu vários diplomas de especialização em técnicas alternativas, inclusive em instituições de ensino do exterior. Também foram localizados recibos com carimbos de um outro médico, que atua na cidade. A operação da PF foi desencadeada por solicitação do Conselho Regional de Medicina (CRM) em Londrina.
A PF não soube informar há quanto tempo Santos estaria exercendo irregularmente a atividade médica na cidade. Como o crime é considerado de menor potencial ofensivo, ele foi liberado e vai responder o processo em liberdade. De acordo com o delegado-chefe da PF, Sandro Roberto Viana dos Santos, um dos policiais fez consulta e obteve receita do suposto falso médico. ''Ele já respondeu pelo mesmo tipo de crime em Rondônia'', revelou
Segundo o membro conselheiro e ex-presidente do CRM em Londrina, José Luiz de Oliveira Camargo, a entidade normalmente toma conhecimento de casos de exercício irregular da profissão através de denúncias. Posteriormente, o CRM comunica a Vigilância Sanitária e a polícia. ''Nós fiscalizamos os médicos e não quem não é médico. Não temos poder de polícia. Nossa função é acionar as esferas competentes'', afirmou Camargo.
O advogado Gustavo Lessa, responsável pela defesa de Davi dos Santos, disse que seu cliente tem cursos de medicina natural e oferece tratamentos com terapias alternativas. Segundo ele, o problema foi que o terapeuta usava a denominação de ''médico natural'' nos impressos. ''Ele deixou de usar a denominação para evitar problemas. Meu cliente só recomenda ervas e produtos de homeopatia para quem procura tratamento'', salientou.
O CRM notificou Davi dos Santos em fevereiro. O advogado Lessa criticou que a ação da PF ocorreu antes da resposta do órgão sobre a defesa de seu cliente. ''Se ele tivesse sido chamado na Polícia Federal para prestar esclarecimentos, iria com certeza. Meu cliente poderia ficar calado, mas não se negou a prestar as informações solicitadas pela polícia. Estou analisando a situação, mas acho que houve excesso de força na atuação policial '', avaliou. A pena prevista para o crime de exercício ilegal da profissão é de seis meses a dois anos de detenção.


