Homem passa mal em frente ao HU
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Um homem ficou 40 minutos caído dentro de um ônibus, reclamando de fortes dores, até que chegasse o atendimento médico. Detalhe: o ônibus estava parado em frente ao Hospital Universitário (HU) de Londrina, a cerca de 10 metros da entrada do Pronto Socorro.
Ontem, por volta das 11h30, o carroceiro Sivaldo Burque, 42 anos, caiu dentro de um coletivo da linha 107 pouco depois de ter embarcado, enquanto o veículo passava em frente ao HU. O carroceiro dizia sentir fortes dores na nuca, na cabeça, na clavícula e no braço, e permaneceu deitado no próprio ônibus. Os passageiros desembarcaram e tiveram que pegar outro veículo.
Alguns deles, solidários, foram solicitar atendimento dentro do hospital, enquanto outros telefonavam para o Siate e para o Samu. As respostas foram desoladoras. ''Telefonei para o Siate e disseram que não era com eles, e como estava em frente ao hospital, falaram se o HU mesmo não podia atender'', contou Roberto César, um dos passageiros do ônibus. Testemunhas disseram que um médico do hospital teria se recusado a atender, alegando que o HU não tem autorização para atender pacientes do lado de fora. ''O Samu disse que não tinha ambulância, que era para tentar o Siate'', relatou outra testemunha.
A reportagem da FOLHA telefonou para o Siate às 11h53, e ouviu do atendente que problemas clínicos são atendidos pelo Samu. O próprio atendente reconheceu, porém, que o Samu estaria sem viatura para atender no momento, e que estaria sendo negociada com o HU a possibilidade de funcionários do próprio hospital atenderem à ocorrência. ''Se não for possível, nós vamos fornecer apoio. Mas nesse caso a viatura vai sair daqui da Vila Nova, e vai demorar um pouco'', explicou.
Enquanto isso, Maria Nilda Trindade Camargo, ex-esposa de Burque, que o encontrou ali por acaso, tentava acalmá-lo e impedir que ele se movimentasse muito, temendo algum dano maior. ''Ele disse que tinha vindo ao HU ver o filho de 9 anos que estava com um problema no olho. Mas não conseguiu, e acho que ficou nervoso por isso'', comentou. Ninguém ousou levantar o carroceiro do local, temendo agravar alguma lesão provocada pela queda.
''É um absurdo ele estar caído aqui em frente ao hospital e não ser atendido. Isso é descaso, negligência'', revoltavam-se as pessoas que aguardavam a chegada do atendimento - inclusive alguns funcionários do próprio HU.
O socorro só chegou às 12h11, appós 40 minutos de espera, por meio de uma viatura do Siate.
Segundo a assessoria de imprensa do HU, Sivaldo Burque estava embriagado. Ele foi submetido a uma radiografia devido à queda e ficou em observação, mas deveria ser liberado ainda ontem à tarde.


