A Polícia Civil de Piraí do Sul (74 km ao norte de Ponta Grossa) investiga a morte de João Ângelo Prestes de Oliveira, 37 anos, ocorrida no dia 21 de junho. Ele foi encontrado em uma garagem por vizinhos e encaminhado ao hospital. O médico que o atendeu, Márcio Brino, atestou que a causa da morte foi hipotermia - queda acentuada da temperatura do corpo. Naquele dia, os termômetros em Piraí do Sul registraram apenas um grau. Foi um dos dias mais frios do ano.
Porém, uma denúncia feita ao Conselho Tutelar da cidade, levou a polícia a iniciar as investigações sobre o envolvimento de seis crianças e adolescentes, com idades entre 11 e 16 anos, na morte de Oliveira. Segundo depoimento das próprias crianças na delegacia, elas teriam espancado Oliveira por duas vezes.
Na primeira vez, pessoas que presenciaram a cena chamaram a polícia, que coibiu a ação dos menores. Mas depois que a polícia se afastou o grupo teria voltado a espancar Oliveira, inclusive tirando sua roupa e violentando-o sexualmente com o cabo de uma vassoura. As crianças também disseram à delegada Bianca Macedo que jogaram água em Oliveira por várias vezes.
Essas revelações levaram a polícia a interromper o funeral de Oliveira e encaminhar o corpo para o Instituto Médico- Legal de Ponta Grossa, para uma necrópsia. O Ministério Público entrou no caso e o promotor Cássio Honorato de Mattos começou a ouvir os menores, mas prefere não revelar o conteúdo dos depoimentos.
Segundo a delegada, em conjunto com o promotor foi tomada a decisão de não revelar dados da investigação até que esteja concluído o laudo do Instituto Médico-Legal, que deve ser encaminhado à delegacia até sábado. ‘‘Não sabemos ainda se o fato dele ter sido espancado foi o motivo que provocou a hipotermia. Por isso preferimos esperar o laudo para falar mais abertamente sobre o caso’’, informou.
Mas a própria delegada afirmou que em oito anos na função e 30 acompanhando seu pai, que era policial, nunca tinha visto um caso com os requintes de crueldade usados pelas crianças.

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