Um andarilho morreu ontem, por volta das 9h30, quando era levado para o Centro Psiquiátrico Metropolitano (CPM), em Curitiba. Ele não passou na triagem do Pronto Socorro do Hospital Cajuru, para onde a Polícia Militar o havia conduzido antes. ‘‘Vamos abrir uma sindicância para apurar se houve equívoco no diagnóstico’’, disse o diretor-superintendente do hospital, Luiz Salim Emed.
Segundo Salim, o médico que fez o exame preliminar no andarilho não detectou risco iminente de vida. ‘‘A avaliação desse quadro clínico determinou o encaminhamento para o CPM, uma vez que temos problemas com a superlotação’’, explica. Atualmente há 36 pacientes internados no PS do Hospital Cajuru, todos em leitos improvisados. A grande maioria dos casos (90%) é atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Até ser encaminhado para o CPM, o homem esperou 20 minutos pelo exame. ‘‘Ele poderia ter morrido aqui mesmo se houvesse vaga. A triagem é um procedimento normal em função das condições limitadas de atendimento’’, justifica o diretor-superintendente do hospital. Ele atribui isso à falta de uma política de saúde adequada. ‘‘Curitiba precisa de um local específico para pacientes crônicos’’, avalia Salim.
Para o diretor do Hospital Cajuru, essa carência faz com que seja comum a falta de espaço no pronto-socorro, por exemplo. Por coincidência, Salim avisa que os médicos da instituição até assistiram a uma palestra sobre ética na saúde nesta quarta-feira: ‘‘Concluímos que nem sempre temos a situação ideal para decidir a sorte do paciente. São os inúmeros problemas do setor’’.
O capitão Roberto da Cruz, do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), informa que o andarilho aparentava ter 50 anos de idade e estava sem documentos. ‘‘Nossa equipe o recolheu caído na rua Barão do Cerro Azul, no centro da cidade’’, conta. As causas da morte serão conhecidas após autópsia do Instituto Médico Legal (IML).

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