Homem morre esperando vaga em hospital
Silvana Leão
De Londrina
Mais uma vez o problema de superlotação nos prontos-socorros dos hospitais de Londrina volta a ficar evidente. Desta vez, o problema maior está acontecendo no Hospital da Zona Norte, que há três dias vem improvisando leitos nos corredores e convivendo com grandes filas de espera. O aposentado Nello Braz, de 59 anos, que aguardava transferência para um hospital terciário, morreu ontem às 14 horas, vítima de acidente vascular cerebral e insuficiências cardíaca e respiratória. Braz foi internado anteontem de manhã com broncopneumonia. No final da tarde seu quadro agravou-se e o hospital solicitou sua transferência, através da Central de Leitos. Duas vagas surgiram ontem, no início da tarde, quando já não havia mais nada a fazer.
Segundo a diretora-geral do HZN, Denise Sardinha, a média de pacientes atendidos no hospital, desde que fechou o Pronto Socorro (PS) do Hospital Evangélico, tem sido de 230 por dia. Até ontem, no início da tarde, 110 pessoas haviam procurado atendimento.
No corredor do PS, vários pacientes estavam internados em macas, e os 12 leitos do setor, utilizados normalmente para pacientes em observação, foram destinados a internação. Denise Sardinha acredita que uma das causas do aumento na procura pelo hospital esteja na queda da temperatura. É comum no outono aumentar a demanda, explica. Já a diretora de enfermagem do HZN, Eridan Diniz, prefere não arriscar uma explicação. Não sei o porquê desta demanda tão grande. Se fosse mais pela mudança climática, a maioria seria de idosos e crianças, e há pacientes aqui de todas as idades, com todo tipo de problema, diz ela.
Pelos corredores, é fácil comprovar esta informação. Sentado em uma cadeira com o sobrinho de quatro anos no colo, o comerciante Marcos Antonio Garcia esperou durante três horas pelo resultado do exame de sangue do garoto, que estava com febre. Antes disso, aguardou outros 40 minutos para entrar em consulta.
A técnica em edificações Zenilda Raimunda Souza Castro está internada desde domingo de manhã em uma maca no corredor do hospital, com crise de apendicite. Ela precisa ser operada e aguarda transferência. Como ninguém sabe quando isto vai acontecer, Zenilda é mantida em jejum, sendo alimentada apenas pelo soro. Além da fome, ela se queixa do leito improvisado: A maca é horrível, a gente não consegue dormir direito. Nos três últimos dias, isto aqui está insuportável. Os enfermeiros não têm como dar atenção a todos e estão quase ficando loucos.
Outro que aguardava transferência era o entregador de gás D.M.P., de 16 anos, com fratura na terceira cervical e ferimento em um dos braços.
No Hospital da Zona Sul (HZS) a situação ontem era menos grave. Segundo a diretora geral, Akiko Nagao, o atendimento foi feito normalmente, embora a pediatria estivesse lotada. No Hospital Universitário as unidades de internação estavam lotadas, com 20 pacientes excedentes ocupando macas no corredor do PS. Mesmo assim, o diretor clínico do hospital, Sílvio Villare Filho afirmou que, comparada a outros dias, a situação estava tranquila. É uma situação de normalidade dentro do caos, definiu.Drama da superlotação atinge Hospital Zona Norte há 3 dias; aposentado que esperava transferência não resistiu
Mário CésarSUPERLOTADOPacientes em macas no corredor do Hospital Zona Norte: estabelecimento atende 230 pessoas por diaMário CésarZenilda Castro: jejum desde domingoMário CesarA diretora Denise Sardinha: temperatura





