Sertanópolis Foi enterrado ontem, sob forte comoção da família, Alcides Marcelino dos Santos, 52 anos. Ele foi brutalmente espancado e violentado na praça da Igreja Matriz na madrugada de terça-feira de carnaval, em um crime que assustou a cidade de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina). Santos chegou a receber alta do hospital da cidade no sábado, mas voltou a passar mal no mesmo dia e foi transferido para o Hospital Universitário (HU), de Londrina, onde faleceu na tarde de anteontem.
Segundo uma sobrinha da vítima, que pede para não ser identificada porque teme os agressores, Santos foi atacado quando estava voltando do carnaval de rua por um adolescente de 17 anos e outro homem. ''Ele falou para meu pai que o rapaz queria dinheiro e ele não deu'', afirma. Segundo a sobrinha, o adolescente era do círculo de relações de Santos.
Dominado pelos dois, Santos foi brutalmente espancado e teve um pedaço de madeira introduzido em seu ânus. A violência foi confirmada através de laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Londrina. Segundo o órgão, a vítima também sofreu politraumatismo craniano. Um outro exame vai investigar se houve relação sexual.
O relato da vítima aos familiares aponta que enquanto o adolescente lhe espancava, o outro envolvido, cujo apelido é Baleia, lhe segurava. ''O que fizeram com ele não tem explicação'', diz a sobrinha.
O delegado que responde interinamento em Bela Vista do Paraíso, José Vítor Pinhão, ouviu os dois envolvidos na semana passada. ''O adolescente assumiu toda a culpa, dizendo que o outro foi só apartar a briga'', conta. Em depoimento, o rapaz afirmou que a vítima seria homossexual e teria lhe proposto sexo. ''Ele afirma que disse não e a vítima lhe atacou'', diz. Segundo ele, ambos os envolvidos não têm ficha criminal e se apresentaram espontaneamente.
Pinhão esperava que Santos melhorasse para colher seu depoimento e dar prosseguimento ao inquérito. ''Agora terei que ouvir a família, o médico e motorista da ambulância'', diz. Segundo o delegado, a investigação está sendo dificultada pela falta de testemunhas. ''Todo mundo diz que viu e que sabe mas ninguém aparece para depor'', afirma.
A sobrinha de Santos confirma. ''As pessoas têm medo de aparecer, até a gente está com medo'', diz. Santos era solteiro e atualmente estava desempregado.

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