O trabalhador volante Valdivino Maria Jesus, 38 anos, foi internado em estado ‘‘gravíssimo’’ no Hospital Pronto-Socorro, de Campo Mourão, depois de ter levado um tiro na cabeça e outro na barriga após agredir com uma faca um investigador da delegacia de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão). O caso aconteceu no sábado, por volta das 19h50, quando Valdivino teria procurado o delegado da cidade, Frederico Rech Sobrinho, que não estava no local.
‘‘Ele estava bastante agitado e partiu para cima do policial quando este lhe pediu que entregasse a faca que carregava na cintura’’, conta o delegado. De acordo com Rech, o pedido do investigador José Marcos Alves da Silva irritou ainda mais Valdivino, que acertou um golpe de faca no braço esquerdo do policial. Ainda na versão da polícia, Silva deu um tiro com um revóver calibre 38 para tentar intimidar Valdivino, o que não teria acontecido.
Segundo o delegado, o investigador ainda correu no pátio da delegacia e atirou quando percebeu que seria alcançado por Valdivino. ‘‘O policial não teve outra opção’’, defende Rech. Valdivino foi levado para o Pronto-Socorro de Goioerê e depois transferido para Campo Mourão. Ele tem família em Goioerê, mas, como trabalhador volante, passa boa parte do tempo fora da cidade. ‘‘Tanto é assim que a família nem procurou por ele’’, diz Rech.
O delegado de Goioerê classificou o caso como ‘‘no mínimo, estranho’’. ‘‘Não consigo imaginar o que esse homem queria falar comigo usando uma faca’’, ressalta. Os familiares de Valdivino ouvidos ontem pela polícia também não souberam informar o que ele foi fazer na delegacia no sábado à noite. Rech instaurou inquérito policial e um procedimento administrativo para apurar o caso. Até ontem no final da tarde, Valdivino estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado de coma.

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