O comerciante Pedro Inácio Pedroso, 62 anos, na terça-feira, por volta das 18h30, perto da seringueira, na rua Benjamin Constant com a rua Minas Gerais. Foi o segundo assalto que ele sofreu no local. Pedroso culpa a Prefeitura que, na sua opinião, precisaria tirar os meninos de rua do local. ‘‘Do jeito como aquilo está abandonado, a polícia prende e eles voltam para o mesmo lugar’’, diz ele.
Pedroso trabalha no Camelódromo, onde tem uma barraquinha, e aproveita para fazer compras em um mercado próximo antes de pegar o ônibus e voltar para casa, no Parque Ouro Verde (zona norte). ‘‘Da primeira vez que fui assaltado consegui me defender. Quebrei um guarda-chuva na cabeça do ladrão.’’
Mas desta vez foi diferente. Ele conta que estava com duas sacolas de compras nas mãos quando percebeu que três garotos vinham em sua direção. ‘‘Eles tentaram pegar minha carteira mas eu protegi os bolsos e eles só conseguiram derrubar minhas compras. Aí veio um homem adulto falando que queria dinheiro e levou meu relógio.’’
A gerente de proteção à criança e ao adolescente da Secretaria Municipal de Ação Social, Carmem Elizabeth Sperandio, informa que vivem na seringueira de 12 a 15 meninos. Em dias de chuva, eles dormem num mocó, na avenida Duque de Caxias, mas, quando o tempo está bom, passam o dia e a noite naquele local.
‘‘Eles têm um vínculo muito grande com a rua o que dificulta o nosso trabalho de encaminhamento para centros de recuperação’’, diz Carmem Sperandio. Ultimamente, a Secretaria de Ação Social conseguiu encaminhar dois deles para centros de recuperação em Curitiba e Cuiabá (MT). Um terceiro está sendo encaminhado para Rondônia (RO).‘‘Estamos procurando colocar em instituições distantes, para dificultar o retorno às ruas’’.
Ela informa que também foram designados dois educadores de rua especificamente para trabalhar com esses meninos, desde agosto. No grupo, apenas três são menores de idade. Os demais têm entre 20 e 21 anos. ‘‘Para nós, que começamos a trabalhar com eles em 93, ainda são considerados meninos de rua por serem franzinos e apresentarem comprometimento emocional devido ao uso de drogas.’’
Ela esclarece que o trabalho é demorado porque primeiro a equipe estabelece vínculo com os menores para só então dar início às atividades. Carmem diz que, vencida a primeira etapa, os meninos são levados para passear pela cidade, fazem esporte e recebem orientações sobre escola, saúde, vida comunitária.

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