Dois Vizinhos J.F., 48 anos, um auxiliar de serviços gerais de uma empresa, está em uma cela individual da Delegacia de Dois Vizinhos (46 km ao norte de Francisco Beltrão), acusado de estuprar as quatro filhas. As duas mais novas, de 14 e 16 anos, ainda sofriam os abusos, segundo a denúncia.
As outras duas, universitárias de 19 e 21 anos, moram em Curitiba e Florianópolis, respectivamente, também disseram à mãe por telefone que também foram estupradas diversas vezes pelo pai. O caso foi divulgado somente ontem pela manhã. O acusado nega que tenha mantido relações sexuais com as filhas e disse que a de 16 anos ''se insinuava'' para ele.
Segundo a polícia, o crime continuado, que começou a ser praticado durante a adolescência da filha mais velha, foi descoberto na tarde de anteontem, quando a mãe, uma diarista de 43 anos, decidiu enfrentar o medo de represálias denunciando o caso ao delegado Joselito Teixeira dos Santos.
A mãe já desconfiava dos abusos devido ao comportamento estranho do companheiro, que fazia carícias nas meninas em reuniões familiares. A confirmação veio na tarde de segunda-feira, quando a mãe voltou do trabalho antes que o previsto. Ela disse à polícia que a filha de 14 anos estava chorando muito e contou sobre os abusos que vinha sofrendo do pai, que também estava na casa. Logo depois, a irmã de 16 anos chegou em casa e também disse ser outra vítima do pai.
Segundo o depoimento das duas garotas, cada uma foi estuprada seis vezes nos últimos dois anos. Elas disseram ao delegado que eram agredidas frequentemente pelo pai. Para intimidá-las, o pai garantia que mataria as duas, a mãe e depois cometeria suicídio. Por telefone, as irmãs mais velhas disseram que recebiam a mesma ameaça.
Além disso, segundo o relato das meninas à polícia, o pai tinha o hábito de pedir para elas trocarem de roupa na sua frente. Diariamente, de acordo com elas, o auxiliar de serviços gerais pedia para observá-las tomando banho.
Anteontem, as meninas fizeram exame de conjunção carnal no Instituto Médico-Legal de Francisco Beltrão. O legista adiantou ao delegado o conteúdo do laudo, que deve ser divulgado apenas na quarta-feira. Segundo o médico, a filha caçula estaria ''bastante machucada'', o que já poderia comprovar os estupros.
Com esta informação, o delegado decidiu pela prisão do suspeito. Ele foi surpreendido em casa e não resistiu à prisão. J.F. não tem arma nem antecedentes criminais. Na noite de anteontem, ele rasgou uma peça de roupa e foi detido quando se preparava para se enforcar.
Ontem, o auxiliar de serviços gerais também foi conduzido ao IML de Beltrão. Foram recolhidas amostras de sua saliva, esperma e sangue para o exame de confrontação. O resultado sai em uma semana.
Se for condenado, o J.F. deverá cumprir o prazo máximo de detenção para o crime sexual, que varia de 6 a 10 anos. A polícia está preocupada com a possibilidade de linchamento do acusado.

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