O Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente) cumpriu um mandado de prisão contra um homem de 36 anos, na manhã desta quarta-feira (28), em Londrina. Ele teve a prisão preventiva decretada por estupro de vulnerável, produção e divulgação de material pornográfico de uma garota de 11 anos.

Segundo a delegada do Nucria, Lívia Pini, as investigações começaram há cerca de um mês. “A denúncia foi feita pela mãe da vítima. Ela teve conhecimento do caso pelo relato da própria filha, que também comentou os abusos para outro familiar”, disse, sem dar mais detalhes sobre a relação familiar de todos os envolvidos para não atrapalhar as investigações e preservar a vítima.

As informações iniciais é de que tal crime era praticado há pelo menos seis anos, ou seja, quando a menina tinha cinco anos de idade. “Esses crimes são sempre difíceis para as vítimas, pois muitas vezes existe um vínculo de parentesco ou de afetividade. Crianças muito novas não compreendem que os atos praticados são abusos sexuais até porque o próprio adulto passa para elas que aquilo é um ato de carinho. Com o passar do tempo é que elas vão tomando consciência da gravidade e procurando alguém para fazer essas denúncias”, destacou.

Delegada do Nucria, Lívia Pini: "A denúncia foi feita pela mãe da vítima"
Delegada do Nucria, Lívia Pini: "A denúncia foi feita pela mãe da vítima" | Foto: Ricardo Chicarelli - Grupo Folha

Em depoimento à polícia, o homem negou todas as acusações. “Ele narra a existência de uma relação conflituosa com a mãe inclusive com ações judiciais sobre alimentos e de guarda, por possíveis agressões da mãe contra a criança. Mas por outro lado existem muitos indícios de que o relato da vítima é verdadeiro. Além disso, uma perícia feita pelo IML (Instituto Médico-Legal) na vítima constatou conjunção carnal", afirmou.

Também foi cumprido um mandado de busca e apreensão na residência. Os policiais recolheram uma arma falsa, aparelhos celulares e um notebook. “Todos os materiais serão encaminhados para a criminalística para realização de perícia. Na residência também há outra criança e sabemos que o homem tem contato com muitas outras. Todas serão ouvidas para verificar a existência de alguma vivência de violência”, completou.

Sobre as denúncias, a delegada ressaltou o quanto é importante o relato da vítima em todos os crimes de violência doméstica ou sexual. “Porque eles são praticados, muitas vezes, sem a presença de terceiros. Então, é muito difícil termos testemunhas desses fatos. Desse modo, são levados em conta os detalhes que a vítima traz. Esses são crimes comuns e vale dizer que todo o procedimento corre em sigilo”, afirmou.

Pini lembra ainda que todo sinal de violência causa efeitos em toda vítima. “Todos devem ficar atentos às alterações de comportamento. Retraimento e agressividade, por exemplo, são sinais de alerta para conversar com a criança ou adolescente”.

A pena pelo crime de estupro por vulnerável pode variar entre oito e quinze anos. Já o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) prevê pena máxima de seis anos para produção de material pornográfico envolvendo crianças e adolescentes, e de oito anos e mais um terço (pela relação de parentesco) pela divulgação desses materiais.

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