Homem é julgado por 4 tentativas de homicídio
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quinta-feira, 11 de setembro de 2003
Maigue Gueths eCandice Dequech<br>Equipe da Folha 
Curitiba O ex-agente de segurança Pedro Graciano da Silva, de 41 anos, foi levado a julgamento ontem, na 1 Vara do Tribunal do Júri, por quatro tentativas de homicídio, porte ilegal de arma e manutenção de oito reféns em cárcere privado. Ele teria praticado os crimes no dia 5 de abril de 2001, nos juizados especiais Cível e Criminal de Curitiba, onde compareceu para responder à acusação de que estaria ameaçando a ex-mulher Letícia Cristiane Cunha.
Graciano é acusado de ter atirado na ex-mulher, nos ex-sogros e em um sargento da Polícia Militar e depois de ter se refugiado em uma sala, onde manteve oito pessoas como reféns durante 12 horas. Desde abril de 2001, ele está preso na Prisão Provisória do Ahú, em Curitiba.
O julgamento deveria ocorrer no dia 7 de julho, mas foi adiado pela falta de uma testemunha. Ontem estavam previstos depoimentos de nove testemunhas, sendo cinco de acusação e quatro de defesa. Depois do depoimento do acusado, realizado logo no início da sessão, o promotor Celso Luiz Ribas e o advogado de defesa Álvaro Borges Júnior avaliaram que o caso já estava bastante claro e concordaram em dispensar as testemunhas.
Graciano afirmou, no julgamento, que quando foi ao prédio do juizado, tinha intenção de se reconciliar com a ex-mulher. Caso não conseguisse, seu objetivo era matá-la e suicidar-se em seguida. Ele contou que comprou a arma calibre 32 oito dias antes do crime. ''Eu estava cego de paixão e com ciúmes'', disse, ressaltando que atirou contra Letícia depois que ela não o cumprimentou. Em seguida, relatou, disparou contra a ex-sogra Creusa Bessane Cunha. O ex-sogro Benedito de Souza Cunha foi ferido quando tentava segurar Graciano. Ele negou que tenha disparado contra o sargento Antonio José de Oliveira. Segundo ele, o policial foi atingido por outro PM.
Graciano relatou que viveu com Letícia durante um ano e um mês, junto com o filho de 4 anos de Letícia. Por causa do ciúme exagerado, Graciano proibia Letícia de trabalhar em certos locais. Ela, segundo ele, revidava com agressões físicas. ''Eu tinha muito ciúmes e ela me provocava bastante. Hoje, graças a Deus, não sinto mais nada por ela'', desabafou.
Letícia, por sua vez, assim que foi dispensada de testemunhar, preferiu sair do Tribunal, sem aguardar o julgamento. ''Deus é fiel e ele vai ser condenado. Ele mesmo já disse quais eram as suas intenções. Naquele dia eu não pretendia falar com ele como não pretendo nunca mais.''
Até o fechamento desta edição o julgamento ainda não havia sido encerrado. A previsão era de que o julgamento terminasse somente de madrugada.


