Londrina teve mais um final de semana violento. Ontem, por volta das 15 horas, o catador de papel José Rodrigues de Souza, conhecido como ‘‘Baiano’’, 41 anos, foi executado com um tiro no tórax por dois homens que invadiram a Favela Santa Inês, no Jardim Ideal (zona leste da cidade), onde a vítima morava. Este foi o oitavo homicídio registrado neste mês.
Segundo o delegado de plantão na 10ª Subdivisão Policial de Lodrina, José Carlos Bassalodre, a polícia ainda não tinha pistas dos assassinos nem o motivo do crime. ‘‘A única coisa que eu posso dizer é que os assassinos invadiram a favela em motocicletas e quando encontraram o Baiano, na viela perto de seu barraco, atiraram para matar’’, disse. Bassalodre afirmou que a polícia deve investigar prováveis passagens criminais da vítima para tentar esclarecer o crime.
Na Favela Santa Inês, o clima ontem era de silêncio. Apesar da maioria dos moradores ter visto os assassinos de ‘‘Baiano’’, ninguém quis comentar o assunto. ‘‘Aqui ninguém sabe de nada. Ninguém viu nada e ninguém fala nada. A gente tem que se proteger porque nossa única arma aqui é Deus’’, explicou um morador.
Porém, um dos vizinhos, que não quis se identificar, afirmou que os dois homens, ambos armados com revólveres e pistolas, chegaram atirando ‘‘para todos os lados’’. ‘‘Eles deram mais de 12 tiros, um deles acertou meu barraco e quase pegou meu irmão que estava deitado no sofᒒ. Na favela, ninguém soube dizer se ‘‘Baiano’’ tinha inimigos ou usava drogas. ‘‘A gente sai para trabalhar de manhã e só volta de noite. A única coisa que sei é que mulher tinha largado dele há uns três dias’’, afirmou o vizinho.
O delegado José Carlos Bassalodre, lotado na delegacia de Arapongas, não quis comentar o alto índice nem as possíveis causas dos homicídios registrados em Londrina. ‘‘Eu só dou plantão aqui, por isso não posso falar nada. Não sei o que se passa’’, explicou. Ele, porém, considera ‘‘normal’’ o número de assassinatos registrado até o momento. ‘‘Não é alto se formos considerar o porte da cidade’’, explicou.
Na madrugada de sexta-feira, o desempregado Alexsandro Nazério da Silva, 18 anos, foi assassinado com um tiro no tórax, no Jardim João Turquino (zona oeste). Testemunhas afirmaram que o homicídio decorreu de uma discussão entre a vítima e o principal suspeito do crime, Josemar Lima Madeira, de 20 anos. Até ontem à noite, o suspeito continuava foragido.
Na quinta-feira, a diarista Eurides Divina de Luna, 37 anos, foi morta com um tiro de revólver na nuca. Seu corpo foi encontrado em um terreno no Jardim Santo André (zona norte).

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