Homem e animais peçonhentos: relação difícil
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Marian Trigueiros<BR>Reportagem Local 
Baratas, aranhas, escorpiões e pernilongos vem tirando o sono de muita gente. A invasão dessas pragas urbanas está aumentando e é ainda mais intensa na estação mais quente do ano. Só que o homem tem sua parcela de culpa no aparecimento desses bichos indesejados. É o que afirma a bióloga Sirlei Terezinha Bennemann, professora da Universidade Estadual de Londrina.
''Precisamos entender o motivo dessa invasão. Tudo isso está acontecendo, basicamente, por três motivos: destruição de seu habitat, destruição dos predadores e introdução de animais de outros lugares'', explica Sirlei.
Para ela, um dos motivos para o aumento dessa aparição é a construção em locais que antes eram habitados apenas por animais. Antes de qualquer obra deve ser feito um levantamento da área a ser devastada e os animais que ali pertecem. ''É primordial o conhecimento da cadeia animal e da área original para tentar manter as áreas de preservação. Mas isso, só será possível com investimento em política de educação ambiental.''
Sirlei diz que o animal não está invadindo o espaço urbano e sim o contrário. ''Os animais vão para o habitat do ser humano porque seu ambiente natural foi eliminado'', explica.
Para piorar a situação, a presença deles aumenta em função do nosso estilo de vida. ''Criamos ambientes para esses animais quando amontoamos lixo, táboas, troncos ou até mesmo restos de construção'', afirma.
Com o aumento desses invasões, cresce também a possibilidade de acidentes. ''O animal não vai atrás do homem. Quando acontece um epidódio envolvendo picadas ou mordidas, na maioria das vezes, é um acidente. Ou alguém colocou a mão num tronco, buraco, ou outro local em que ele esteja escondido.''
O impulso imediato é matar o indesejado animal. ''É muito difícil não matar o predador, porque temos medo. O que muitos desconhecem é que os animais peçonhentos são os principais controladores das pragas. Aqueles considerados mais perigosos são os que trazem mais benefícios. O escorpião, por exemplo, elimina as baratas. As pessos só deixam de matar quando entendem o prejuízo direto que tem'', argumenta.
Já outros podem ser mais perigosos e não causam a mesma fobia. ''Entre uma aranha e um caramujo, a pessoa teria menos medo deste. Só que ele traz mais prejuízos: não possui veneno, mas pode ser hospedeiro de um verme, além de dizimar hortas e plantações.''
Mas, então, como reagir? Segundo a bióloga, o ideal é recolher o animal vivo e levá-lo até uma mata onde não existam moradias. ''Não é tarefa fácil, mas também não é impossível; logicamente com cautela.''
Ataque
Sineya Pinto mora em um condomínio na Zona Sul de Londrina e perdeu sua cachorra de seis anos, em dezembro passado, depois de uma possível picada. ''Ela começou a passar mal, não comia nem bebia. Dias depois, o jardineiro achou uma cobra jararaca no quintal. Levamos a cachorrinha ao veterinário que descartou a possibilidade de picada, pois teria morrido na hora.'' Porém como o animal apresentava insuficiência renal, o médico disse que poderia ser veneno de escorpião, aranha, ou ainda algum sapo.
A empresária, que há cinco anos vive no local, conta que esse é o ônus de se morar em uma área com tanto verde. ''Quando morava em prédio, nunca tive problema algum. Agora, além dos escorpiões e aranhas, que aumentaram com as chuvas, os pernilongos tomam conta da casa.''


