Homem é acusado de atear fogo em mulhere
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quarta-feira, 14 de maio de 2003
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
A empregada doméstica Maria Sueli Pereira, 42 anos, sofreu queimaduras de 1º, 2º e 3º graus em 70% do corpo, na noite de anteontem, em um incêndio em sua casa, localizada na rua Riacho Fundo, no parque Alvorada, em Cambé (13 km a oeste de Londrina). Segundo testemunhas, o companheiro da mulher, Amauri Lopes, 36 anos, ateou fogo em Maria Sueli após uma discussão.
A doméstica foi levada em estado grave à Santa Casa de Cambé e, até o início da noite de ontem, ainda corria risco de morte. Os vizinhos relatam que, por volta das 22 horas de anteontem, o casal começou a discutir. ''Há tempos ouvimos os dois brigando toda noite, e o Amauri bateu na Maria muitas vezes'', contou a dona de casa Elza Mazzero, que mora numa residência ao final da viela que faz fundo com o local do incêndio.
Horas depois, quando o barulho aumentou, Elza disse que chamou a polícia. Porém, antes da viatura chegar, ela viu as chamas vindo da residência do casal. Segundo a vizinha, bastante queimada, Maria Sueli conseguiu correr para os fundos da casa e saiu pelo portão que dava acesso à viela. De acordo com Elza, ela andou um quarteirão até chegar à rua Tuiuti, onde moram parentes seus, que a socorreram.
''O corpo dela não estava mais pegando fogo, mas ela estava bastante queimada'', conta Hélio Aprígio da Silva, cunhado da doméstica. Ainda segundo testemunhas, depois que a mulher conseguiu escapar, Amauri incendiou a casa e fugiu. Os bombeiros chegaram a tempo de impedir que o fogo se espalhasse pelas residências vizinhas, mas a mobília ficou quase toda destruída. Apenas um colchão e uma mesa de vidro não foram consumidos pelas chamas.
Maria Sueli e Amauri moravam juntos há cerca de um ano. Há seis meses, eles se mudaram para a casa no parque Alvorada. A filha de Hélio, Roberta Aprígio da Silva, relata que, na conturbada relação do casal, Amauri chegou a prender Maria em casa por uma semana. ''Por causa disso, eles se separaram, mas voltaram logo depois'', lembra Roberta.
''Eu gosto muito dos dois. O Amauri eu conheço desde pequeno, ele sempre foi um bom rapaz, trabalhava, era atencioso. Aí, de uns tempos pra cá, virou outra pessoa. Não tinha emprego, bebia muito e ficava de lá pra cá. Era a Maria quem sustentava a casa e pagava o aluguel'', lembra Elza Mazzero. Maria Sueli tem dois filhos, um rapaz de 18 anos e uma menina de 4 anos, que moram com uma tia.
Até o fechamento desta edição, a doméstica aguardava transferência para o Hospital Evangélico de Curitiba, que oferece atendimento especializado a vítimas de queimaduras, mas não havia leitos à disposição. Ontem à tarde, por volta das 16h30, policiais militares prenderam Amauri na casa de parentes na Vila Isabel, também em Cambé, após denúncias de moradores. Ele tem passagens anteriores pela polícia por furto e assalto e está detido na delegacia local.


