A situação melhorou ou piorou no Pronto-Socorro (PS) do Hospital Universitário (HU) de Londrina, em relação ao que foi mostrado pela Folha ontem? Depende. Na dinâmica dos hospitais, em que pacientes chegam e partem a toda hora, notícias boas e más alternam-se com a mesma rapidez.
O número de internos diminuiu: ontem a relação era de 26 leitos oficiais para 42 pacientes, ante os 60 do dia anterior. Entre estes, entretanto, surgiu um caso preocupante: um paciente com suspeita de meningite meningocócica (bacteriana), que não pôde ser isolado em condições adequadas. Ele foi colocado na sala de ortopedia, onde as atividades foram suspensas. Um outro interno está com meningite viral, um tipo menos grave da doença, e também foi isolado precariamente.
''Fizemos um isolamento improvisado, colocando os pacientes sozinhos, um em cada sala. Ambos estão bem, mas é claro que as condições não são ideais'', explicou o médico-plantonista Tercílio Turini, respondendo pelo PS do HU. Na edição de ontem da Folha, Turini, que também é vereador da Câmara de Londrina, já havia alertado que a superlotação expõe pacientes a riscos de morte.
Entre as doenças que mais comumente chegam ao PS, o plantonista citou casos de hipertensão, crises de bronquite e problemas cardíacos. O atendimento no setor continua restrito a casos de urgência e emergência; a recomendação é que os pacientes com problemas de saúde de menor gravidade procurem, em primeiro lugar, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs). ''A divulgação pela imprensa da superlotação do HU até ajuda a atenuar o problema, porque reduz um pouco a procura espontânea ao hospital'', observou.
Embora alguns boxes de consulta do PS tenham sido liberados nos últimos dois dias devido à diminuição no número de internos, pacientes continuam instalados em macas nos corredores e cadeiras. Apesar do desconforto, alguns deles se mostram compreensivos com a situação. ''Estou aqui desde sábado, quando cheguei com cólica renal. Sei que os médicos fazem o possível e o impossível, e estou sendo muito bem tratado, mesmo nessa maca de corredor. É melhor estar aqui do que lá fora, esperando uma vaga com dor'', declarou o desempregado Hélio Gazola Júnior, 24.
Ontem pela manhã, chegava a três o número de internos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) que já haviam recebido alta mas não podiam ser transferidos para a internação por falta de leitos. Além do PS, a UTI (17 leitos) e a enfermaria do HU (75 leitos na ala masculina e 44 na feminina) não dispunham de nenhum leito desocupado ontem, de acordo com Turini.
A situação está bem menos complicada nos hospitais Santa Casa e Evangélico (HE), conforme informações fornecidas pelas duas instituições. No HE, a lotação do Pronto-Socorro era de 80% no início da tarde de ontem, com previsão de atingir 100% até à noite. Na Santa Casa, as 18 vagas do PS estavam ocupadas. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o setor chega a receber o dobro de pacientes.
De acordo com o coordenador do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Londrina, Antônio César Marçon, o encaminhamento dos casos de emergência que são noticiados ao programa é distribuído igualmente entre os hospitais. ''A superlotação no HU é agravada pelo fato de haver ali uma procura espontânea muito grande, que representa a maior parte dos atendimentos'', afirmou.

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