Mauricio Della Barba
De Londrina
Mais uma acusação de racismo provoca polêmica em Londrina. O servente de pedreiro José Luiz Ferreira, de 36 anos, morador do Jardim União da Vitória (zona sul), está acusando Guiomar Darolt de ofendê-lo por causa de sua cor. O fato teria ocorridou no dia 13 de abril, quando Ferreira trabalhava na construção de um sobrado, de propriedade de Guiomar, no Jardim Veraliz (zona oeste).
A agressão, segundo Ferreira, foi porque ele teria se recusado a limpar o chão que estava sujo de cal no horário do almoço. ‘‘Eu disse que faria depois do lanche e aí, de repente, ela começou a me xingar de preto fedido, nojento e outros palavrões na frente de todo mundo e me expulsou da obra’’, diz o servente. No momento, Ferreira foi orientado pelos amigos e pelo encarregado de obras, João Sulfiati, a não revidar as agressões. O marido e o filho de Guiomar também teria tentado acalmar a situação, mas sem sucesso. ‘‘Todos ali ficaram muito assustados, pois ela sempre havia nos tratado bem’’, lembrou Ferreira.
Inquérito policial para apurar a denúncia foi aberto pelo delegado do 4º Distrito Policial em julho. Segundo a advogada do Centro de Direitos Humanos (CDH), Regiane de Oliveira Andreola, três testemunhas já foram ouvidas e confirmaram as agressões raciais à Ferreira. ‘‘Estamos aguardando o depoimento da Guiomar no caso para as próximas semanas’’, disse a advogada.
Ferreira busca uma indenização moral e financeira. ‘‘Foi uma situação muito chata. Além disso perdi um emprego que era para durar seis meses’’, lamenta. O servente recebia R$ 300,00 mensais pelo serviço e foi demitido com apenas dois meses de trabalho.
Ferreira disse que decidiu procurar o CDH depois que tomou conhecimento de outros casos de racismo pela imprensa. ‘‘É difícil saber o que fazer quando acontece essas coisas’’, disse.
A Folha tentou ouvir Guiomar Darolti. No primeiro telefonema, a informação era de que ela não se encontrava em casa. Em outra, o telefone foi desligado após a identificação da reportagem.
O Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina entregou, na segunda-feira, ao secretário estadual de Justiça e Cidadania, José Tavares, um dossiê sobre o caso da zeladora Cleusa Mota dos Santos. Negra, a zeladora afirma ser vítima de racismo e ganhou na Justiça uma ação de indenização por danos morais contra Edno Mariano dos Santos, diretor de uma escola estadual.

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