'Hoje tenho consciência de que preciso mudar'
Encarregado-chefe do setor de limpeza pública, José dos Santos conta que viu vários funcionários dedicados se ''perdendo'' no vício. ''São pessoas boas, que trabalham bem, mas que, em decorrência do álcool, dormiam durante o expediente. Além disso, acompanhamos o sofrimento da família, já que eles gastam todo o salário, ou trocam a cesta básica por bebida'', diz.
Vendo que a cada dia o problema de dois de seus funcionários piorava, resolveu incentivá-los a participar do grupo. E foi o que fez C., 53 anos. ''Já fui internado uma vez, mas tive recaída e voltei a beber duas semanas depois. Com o acompanhamento, não parei de beber ainda, mas já diminuí bastante'', revela o servidor. Para ele, as reuniões eram o que ele precisava para dar o primeiro passo. ''O trabalho das profissionais está me dando a força que eu precisava. Agora estou me tornando dependente de conversa'', brinca.
O mesmo relata A., 45 anos. Segundo ele, que é dependente há 20 anos, começar o tratamento foi importante para resgatar sua dignidade. ''Minha mulher foi embora, eu arrumava confusão na rua, já escapei da morte. O próximo passo seria perder meu emprego. Felizmente, hoje tenho consciência de que preciso mudar.'' (M.T.)





